Tráfico de drogas cresce e deixa calada a população de Pedregulho


| Tempo de leitura: 3 min
 Praça na cidade de Pedregulho usada por traficantes para fazer a venda de entorpecentes
Praça na cidade de Pedregulho usada por traficantes para fazer a venda de entorpecentes

O tráfico incomoda e cala a população de quase 16 mil habitantes de Pedregulho. A cidade é pequena, mas, como em várias cidades do país, vê o avanço da venda de entorpecentes. Os números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, até agosto deste ano, não refletem a dimensão do problema. Foram oito flagrantes de tráfico em oito meses de 2012, contra nove em todo o ano passado. Segundo a polícia, a maioria dos traficantes vem de fora, geralmente para trabalhar na lavoura de café. Além disso, o silêncio dos moradores prejudica as investigações.

“A polícia trabalha com informação. Se não nos chega essa informação, quem está traficando e onde, fica difícil para trabalhar. A pessoa não precisa se identificar”, disse o delegado Fábio Branquinho, titular das delegacias de Pedregulho e Rifaina.

A reportagem do Comércio percorreu o pequeno município na tarde da última quinta-feira. Falar sobre tráfico de drogas, com a maioria das pessoas, era como amordaçá-las. Entre os poucos que aceitaram se manifestar e “denunciar”, encontramos o vendedor ambulante JEBR, 50. Morador em Pedregulho há 42 anos, diz estar triste pelo que a cidade vem passando. “É na frente das pessoas mesmo [a venda]. Eu já cheguei a ver, só que a gente não pode falar nada. Tem que ficar calado, fiz de conta que nem vi. Já até me ameaçaram, disseram que tem que ficar de boa senão sobra pra gente também”, contou o vendedor. Segundo ele, os piores pontos do tráfico na cidade são o bairro Santa Luzia, a pracinha do bairro Nossa Senhora Aparecida e a vila perto da Conai. “Nesses lugares a gente vê destruição, muita coisa errada.”

Na Vila Santa Luzia, a reportagem encontrou uma praça com brinquedos ao ar livre, lotada de crianças, em frente a uma igreja. “A partir das 23 horas fica feio aqui, eles [traficantes] tomam o lugar”, disse o dono de uma loja de roupas, que não quis se identificar.

Policiais apontaram que, na mesma praça, em um bar, os criminosos eram acolhidos e negociavam drogas no fim da tarde. “Eu não posso falar de uma coisa que eu não vejo”, disse o dono do bar, nervoso com a reportagem. “Deve ter lá para fora, aqui dentro não.”

O lavrador aposentado PNB, 64, morador no Jardim Esmeralda, vive um drama dentro de casa. Seu filho caçula, um lavrador de 26 anos, é usuário de drogas e já esteve preso por tráfico. “Já dei conselho para ele, mas não adianta. Já ficou preso uma vez por causa de droga. Ele comprou para fumar, mas deu problema. Achei que ele ia consertar, mas piorou”, lamentou.

O delegado Fábio Branquinho diz que o aumento da venda de drogas, não só em Pedregulho, não é apenas impressão da população. “Aumentou sim, e isso a gente vê que é uma tendência geral. Hoje, o grande lucro do crime organizado advém da droga. Se você combate o tráfico também está combatendo a parte financeira do grupo organizado.” Ainda segundo Branquinho, é importante que a população confie na polícia e denuncie.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários