Para nós, espíritas, nunca é demais lembrar da figura ímpar de Hyppolite Léon Denizard Rivail – Allan Kardec. Nascido em Lyon, na França, em 3 de outubro de 1804, estaria completando 208 anos se encarnado estivesse. No entanto, continua vivo na memória de todos aqueles que se dedicaram a estudar os postulados da doutrina que ele codificou.
Permanece na nossa memória pelo inestimável trabalho que realizou a partir dos primeiros contatos racionais com fenômenos espíritas, simples espetáculos denominados mesas girantes. Ao contrário dos meros curiosos que, nas fastidiosas noites parisienses da época, viam no fato apenas um motivo de diversão, com o seu espírito indagador Kardec fez de referidos fenômenos os germes do desenvolvimento de uma doutrina natural.
O Espiritismo teve suas bases na iniciativa e na revelação dos espíritos, tanto que o seu primeiro livro recebeu o título de O Livro dos Espíritos, razão das bases doutrinárias espíritas repousarem no que os mentores disseram. Porém, o trabalho de elaborar as perguntas, de sistematizá-las, de dar publicidade e de incrementar a doutrina foi de Allan Kardec, a quem chamamos o Codificador, habilmente assessorado por sua esposa Amelie Gabrielle Boudet.
Fica evidente no trabalho dele, sua argúcia, didática, pedagogia, ao elaborar as questões que deram origem à obra basilar do Espiritismo. E muito ter-se-ia a dizer aqui do desdobramento da doutrina consubstanciada na sabedoria do Mestre Lionês.
Como se sabe, O Livro dos Espíritos dá origem a outros quatro livros, com os quais forma o que denominamos ‘pentateuco espírita’, isto é, os cinco livros básicos do Espiritismo. Na sequência à publicação do primeiro livro, temos: em 186, O Livro dos Médiuns; em 1864, O Evangelho segundo o Espiritismo; em 1865, Céu e o Inferno; e, finalmente, em 1868, o A Gênese.
Além disso, o Codificador fundou e dirigiu durante quatorze anos a Revista Espírita, correspondendo com o mundo todo a respeito da doutrina. Também são de sua lavra muitos artigos de cunho doutrinário. Na Revista Espírita que dirigiu enquanto encarnado, isto é, até 31 de março de 1869, diversos temas foram abordados e estudados, procurando, livre de sistemas, respostas às grandes questões científicas, filosóficas e religiosas do Espiritismo. Fundou e dirigiu a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, onde obteve grande parte das comunicações que, mais tarde, fizeram parte do corpo doutrinário.
Hyppolite Léon Denizard Rivail – Allan Kardec, foi professor e escritor de várias obras sobre educação e disciplinas diversas, tendo sido formado segundo a orientação do famoso educador João Henrique Pestalozzi, em cuja instituição estudou em Yverdum, na Suíça. Pela obra ciclópica que realizou, pelo infatigável empenho à causa espírita, podemos dizer que, à semelhança de Paulo de Tarso, Kardec era o ‘vaso escolhido’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.