A torcida da Francana não tem muito o que comemorar nesta sexta-feira, dia do 100º aniversário do clube. Em campo, o time colecionou resultados ruins durante a temporada. No Campeonato Paulista da Série A-3, a Veterana terminou na 10ª colocação. Neste segundo semestre, o time sequer passou da fase de grupos da Copa Paulista. Com as frustrações no gramado, o time profissional só volta a jogar em 2013.
Presidente do Conselho Deliberativo, o empresário Fahim Youssef Issa Neto assumiu o cargo de mandatário executivo no final de 2010, com a ausência de candidatos. Em sua administração, Fahim vem adotando a política do bom e barato. No seu primeiro discurso até os dias atuais, o dirigente prioriza um estilo de gerenciamento sem aumentar a dívida do clube, que segundo ele está na casa dos R$ 10 milhões.
Para o ano do centenário, a Francana divulgou uma série de ações em comemoração à data, desde o lançamento de livros, almoço de confraternização, palestra com dirigentes do Corinthians, lançamentos de produtos licenciados e programa sócio-torcedor, além do baile de gala. Em campo, Fahim é cauteloso nas palavras. Ele promete “não fazer loucura” na contratação de atletas, mas afirma que terá um time competitivo.
DECEPÇÃO EM CAMPO
Foi frustrante na questão de não conseguirmos os resultados em campo. Mas posso dizer que temos um orçamento ínfimo perto dos outros times, estamos fazendo milagre dentro do clube. Na Série A-3, começamos o trabalho em dezembro dando continuidade no elenco e decepcionou por não conseguir o acesso. Já na Copa Paulista, disputamos contra times da primeira e segunda divisões, e clubes de empresários. Nosso orçamento era ridículo se compararmos a esses times, mas buscamos representar bem a cidade nessas competições.
CRÍTICAS
Claro que a gente fica magoado quando o time não vence e o resultado não aparece em campo. O que chateia ainda a mais é ouvir cobranças por parte da imprensa que sabe da nossa dura realidade. Nada que faz agrada. O treinador não serve, o supervisor de futebol tem que sair, o preparador físico está errado, vive sempre reclamando. O nosso jogador erra um passe e já é xingado. Vou aceitar críticas daquele sócio-torcedor que paga mensalmente e vai ao campo, não da maneira que vem sendo ao longo dos anos.
GRUPO DE APOIO
Trabalhamos para conseguir esse grupo de apoio que é extremamente importante para conduzir o futebol, mas os resultados não vieram, aí vem as críticas e alguns nomes optaram por sair. Só tenho que agradecer por tudo que fizeram e fazem pelo clube. Mesmo fora, eles comprometeram nos ajudar na captação de recursos. Nosso principal objetivo é resgatar a credibilidade do clube. Se não tivermos o apoio dos empresários, do poder público e dos torcedores, a tendência é acabar. Não vejo outra saída se não sensibilizarmos essas três vertentes.
PATROCINADORES
Grande sonho e o grande problema da Francana é esse, querer conquistar o acesso sem dinheiro. Isso não existe. Em Franca não encontramos uma empresa que possa manter uma folha salarial em torno de R$ 100 mil. Estamos tentando manter alguns contatos com empresas de fora que tem interesse em Franca e divulgar sua marca em um ano histórico no clube, onde os holofotes estarão aqui devido ao centenário.
PARCERIA COM TIMÃO
O Corinthians está sendo sondado pela gente. Tanto é que o Luís Paulo Rosemberg (vice-presidente do clube) e Caio Campos (gerente de marketing) estarão vindo a Franca para conhecer nossa estrutura e na oportunidade farão uma palestra no dia 18, na Unifacef. Temos um bom relacionamento com a diretoria do Corinthians. Mas é complicado, temos uma estrutura totalmente diferente a que eles possuem e para convencer atletas a virem jogar aqui não é nada fácil. Vamos sentar para ver o que pode ser feito, não só com o Corinthians, mas sim com outros times.
BASE
Estamos passando por um grande momento que será a participação do clube na Copa São Paulo de Juniores, sendo também sede do torneio. É um trabalho idealizado pelo Nenê (Airton Martore), sem ele não conseguiríamos trazer a competição. A Francana tem que investir na categoria de base, na formação de atletas. Um de nossos projetos é na reforma do campo do Nhô Chico para a construção de um centro de treinamento.
GESTÃO
Nos últimos anos temos trabalhado dia a dia, mas é complicado planejar algo pois temos que cuidar de um passado nefasto, com ações trabalhistas contra o clube e ‘n’ problemas. Posso destacar que durante esse período à frente do clube (2 anos) o trabalho esteve em não aumentar a dívida, que hoje chega aos R$ 10 milhões e solucionamos algumas pendências antigas. Vejo a venda do patrimônio como a solução para quitar essa dívida. Se não disponibilizarmos dele, vamos acabar perdendo e a dívida irá continuar. É um trabalho que ninguém quer fazer, mas terá que ser feito.1
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