Progresso e Idade Média


| Tempo de leitura: 2 min

Interessante estudo sobre o tema, assinado por D. Estevão Bettencourt, afirma que o Prof. Léo Moulin, agnóstico ou ateu belga, reconheceu influência do Cristianismo e, em especial, da Regra de São Bento, na evolução da cultura e da civilização da época. Os princípios de disciplina, diligência e ordem no trabalho da Regra, propiciaram a criação de grandes empresas industriais e culturais.

As Sagradas Escrituras ensinam que o universo foi criado com sabedoria e lógica e a própria razão humana, dom de Deus, merece a confiança do homem.

Assim, os medievais cultivaram a inteligência, resultando daí universidades e belas obras de arte, especialmente catedrais. Não foi, portanto, um período obscuro.

Costuma-se atribuir ao Calvinismo (século XVI) o desenvolvimento comercial e econômico dos países protestantes, sobretudo o dedicar-se “religiosamente” às atividades profissionais. É menos conhecida no entanto, a influência que a fé dos monges exerceu nas populações em favor do progresso da civilização.

O Prof. Léo Moulin, em 1990, na comemoração do nono centenário do nascimento de São Bernardo (1090-1153), discorreu sobre o papel dos monges da Idade Média no progresso da civilização. A Idade Média ocidental registrou invenções e descobertas como a bússola, lentes de óculos, roda com aros, relógio mecânico com pesos e rodas, o canhão (em 1327), a caravela (em 1430), a imprensa, a ferradura de cavalo, os moinhos de água, de maré, de vento.

A Regra de São Bento ensina o valor e a sistematização do Labora (Trabalho), essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal.

São Bento quer que o trabalho seja executado “bem”, “com serenidade”, “sem tristeza” e “sem murmuração”. A Regra promove a diligência e a disciplina do trabalho, e, de modo especial, a pontualidade e a atenção ao que se faz.

Exatos cem anos antes da Magna Carta imposta ao rei João Sem Terra na Inglaterra em 1215, a Ordem Cisterciense concebera o sistema de governo mais prático que se conhece: o Capitulum Generale (Capítulo Geral), assembléia internacional da qual fazem parte representantes de todos os mosteiros e dotada de poder legislativo.

A instituição do Capitulum Generale foi adotada por ordens e congregações religiosas posteriores e tornou-se modelo para o regime de muitas sociedades de caráter internacional.

A Escritura Sagrada transmite a seus leitores uma atitude dinâmica em relação ao universo que os cerca. No Gênesis, está: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. E também: “Enchei a terra e submetei-a.’ Por conseguinte, a atitude do esforço, da luta, do empreendimento, da resposta ao desafio é totalmente cristã.

Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários