O Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec” pode fechar as portas por falta de verbas para manutenção. Há quatro anos sem o reajuste da tabela SUS (Sistema Único de Saúde), o hospital recebe R$ 42 por paciente/dia. O gasto, no entanto, é de R$ 100 para cada pessoa que é atendida na unidade, o que faz com que o hospital tenha um déficit mensal de cerca de R$ 150 mil. Para o presidente, Wanderlei Cintra, a situação beira o insustentável. “Essa falta de verbas está nos levando a uma agonia e uma asfixia... Vai ser difícil dar continuidade ao nosso trabalho.”
Gerido pela Prefeitura, o “Allan Kardec” tem 230 leitos. Atualmente, são 200 pacientes internados e 30 que recebem tratamento diariamente. “Muitos são pacientes que já tiveram alta e que a família, às vezes, não têm como cuidar, então esse tipo de paciente continua frequentando o hospital. Temos os gastos com medicação e alimentação da mesma forma”, explicou Cintra.
De acordo com o presidente, a Prefeitura alega não ter condições de complementar o que é repassado pelo SUS. O único aporte municipal destinado ao hospital foi autorizado em agosto, no valor de R$ 200 mil. “Este ano, a sorte que tivemos foi que conseguimos umas emendas parlamentares e arrecadamos com as campanhas que fizemos. Mas isso não resolve o nosso problema”, disse.
Para continuar atendendo a população, o reajuste mínimo do SUS deveria cobrir os R$ 100 gastos diariamente com cada paciente que frequenta o “Allan Kardec”. Em setembro, durante a visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Cintra entregou um ofício elencando as necessidades do hospital. “Estamos aguardando e cobrando isso do Ministério, porque neste momento é de fundamental importância uma resposta para sabermos se vamos continuar ou não”, afirmou. No entanto, a política de fechamento de leitos psiquiátricos adotada pelo Governo Federal deve dificultar ainda mais uma solução.
“Estamos chegando a um limite que não dá mais para sair com o chapéu pedindo dinheiro. Somos colaboradores da saúde mental, e não responsáveis pela saúde mental. Somos entidade filantrópica, mas é uma entidade particular. Estamos começando a comprometer o patrimônio da instituição para pagar uma conta que não é dela”, disse.
Ainda não há previsão de quando a paralisação dos serviços pode vir a acontecer. No entanto, sem o reajuste do SUS ou ajuda financeira da Prefeitura, o Hospital passará a atender somente pacientes particulares. “Se houver o fechamento dos leitos, continuaremos com a clínica particular. Com a receita da clínica particular, faremos a filantropia com o que pudermos. Se der para atender 10, atendemos. Se der para atender 20, atendemos. O que não dá é continuar nessa agonia de 230 pacientes e continuar nos endividando. Eu não quero virar uma Santa Casa”, concluiu.
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