Dados da Pnad 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgados pelo IBGE, mostram que os jovens estão saindo da escola mais cedo do que deveriam, um problema que tem preocupado os especialistas em educação já há algum tempo.
Segundo a pesquisa, em 2011 o percentual de jovens entre 15 e 17 anos frequentando a escola era de 83,7%, um número mais baixo do que o apurado em 2009, quando a taxa era de 85,2%. Ainda de acordo com o estudo, essa diferença equivale a cerca de 1,7 milhão de jovens fora da escola, um número bastante significativo para um país que pretende entrar de vez para o rol dos países mais desenvolvidos do planeta.
Para os analistas, os principais problemas dessa evasão seriam o desinteresse pela escola e o alto índice de retenção que segundo eles ainda existe no Brasil, principalmente na região nordeste. No primeiro caso, o aluno não perceberia na escola o tão propagado caminho para o mercado de trabalho. Problemas como falta de professor, falta de material adequado ou disciplinas fora de contexto seriam detonadores desse desinteresse. No segundo caso, a taxa de retenção de 13,1% apurada pelo Censo Escolar de 2011, a maior desde 1999, agiria no sentido de intensificar esse desinteresse e facilitar o abandono por parte desses alunos reprovados.
A questão é realmente complexa. Aumenta-se o investimento em educação, criam-se variados projetos pedagógicos (alguns mirabolantes), inventam-se milhares de cursos de reciclagem para docentes e os resultados continuam apontando firmemente para o fracasso escolar.
Se olharmos com a devida atenção para a escola de hoje, talvez consigamos perceber certa razão nesse desinteresse dos alunos, muito distante de qualquer problema de retenção, que no Estado de São Paulo não é tão impactante como no resto do país. A questão é que a escola é mesmo um espaço estranho dentro desse mundo midiático em que vivemos. Mesmo para as classes de mais baixa renda, ela está mais para um ‘depósito’ de jovens e crianças durante o período de trabalho dos pais do que para um lugar aprazível, onde se possa aprender formas mais interessantes de se descobrir e de pensar o mundo em que vivemos.
Organizada em torno de uma arquitetura pobre e desestimulante, tanto em termos estéticos quanto funcionais, com professores desmotivados, conteúdos descontextualizados e métodos de ensino descompassados em relação aos anseios e expectativas das crianças e jovens de hoje, a escola de hoje se transformou em um espaço realmente chato e monótono, frequentado apenas pela obrigatoriedade legal que se impõe junto às famílias.
Está mais do que na hora de impor à escola um tratamento de choque. Revolucionar todos os seus métodos e processos, seu design e sua arquitetura talvez seja a única saída.
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