Os poderes públicos parecem refletir a preocupação da sociedade de bom senso relativamente ao assustador aumento de consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens. O Governo do Estado de São Paulo, inspirado em lei sancionada em 2011, encetou massiva campanha de âmbito estadual, visando a proibição de venda e consumo de bebidas alcoólicas aos menores de 18 anos.
Como é patente que a liberdade etílica alcançasse até crianças, vê-se que a campanha que visa educar antes de punir, além de fazer sentido observável, parece surtir efeito. É imprescindível, todavia, que a medida educativa mostre ao público a implacabilidade da lei no caso de infração.
Mas, qual a principal causa do aumento de consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens? A falta de religião e de opções culturais, esportivas, de lazer... O jovem desprovido da oferta de entretenimento saudável e de princípios que lhe norteiem a conduta moral, entrega-se facilmente aos atrativos que mais lhe tentem os anseios ainda indefinidos.
Inobstante a importância da citada campanha e da lei que a motivou, há que se considerar que o governo ataca os efeitos sem atacar as causas. A solução do grande mal requer muito mais! Primeiro: é fundamental que se convença de que a maneira indutiva e até subliminar de se propagarem bebidas alcoólicas é um convite irresistível aos menores, porque ainda não dotados de capacidade de discernimento. Segundo: urge considerar-se que as mensagens comerciais de bebida a elegem como meio mágico de o consumidor auto-afirmar-se e de alcançar sucesso na vida, apesar da frase ‘beba com moderação’, que, aliás, é dita, deliberadamente, de maneira a demonstrar ausência de convicção, ao mesmo tempo em que ostentam grande poder de convencimento também por exibirem jovens bonitos bebendo enquanto rodeados de belas mulheres. Demais, a recomendação legal ‘beber com moderação’ é, na verdade, uma abertura para o alcoolismo.
O que fazer? No mínimo, proibir-se a veiculação de propaganda de bebidas alcoólicas em horários que alcancem menores. Mas, o melhor mesmo seria evitar-se totalmente a propaganda de produtos que comprometem a saúde física e moral de quem quer que seja. Se se afirma impossível restringir-se a inserção de tais anúncios, que se aplique algum tipo de censura horária, tal como ocorre com o cigarro, assim como restringir a veiculação de músicas que exaltem o consumo de bebidas, do tipo ‘eu estou bebum...’, ‘eu bebo todas...’, ‘hoje é sexta-feira...’ etc.
O mais importante: já que o lar é a primeira e grande escola, que se realizem campanhas educativas mostrando aos pais o seu natural compromisso de darem exemplos vivos com vistas a formação do caráter dos filhos, como no sábio dizer do espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier.
A esse respeito, recomendo também que meditem sobre o excelente artigo A Tentação do Álcool, de autoria da psicóloga Rosely Sayão, no caderno Equilíbrio da Folha de S. Paulo, edição de 7 de agosto, sobretudo atentando para a pergunta formulada pela autora: ‘onde estão os pais dessas crianças?’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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