Escolas públicas e particulares têm um caso de drogas a cada 15 dias


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 Ronda Escolar foi intensificada para conter a ação de supostos traficantes próximo às instituições de ensino. Patrulhamento reforçado deve seguir até o final deste ano, de acordo com a PM
Ronda Escolar foi intensificada para conter a ação de supostos traficantes próximo às instituições de ensino. Patrulhamento reforçado deve seguir até o final deste ano, de acordo com a PM

A Polícia Militar de Franca atendeu, nos últimos seis meses, a pelo menos uma ocorrência a cada duas semanas envolvendo porte ou tráfico de drogas em escolas públicas e particulares do município. Segundo levantamento feito com base em reportagens publicadas pelo Comércio, foram 13 ocorrências entre maio e os primeiros dias de outubro, todas com adolescentes envolvidos. Dentre os casos noticiados, estão menores pegos fumando maconha próximo a portões de escola, cocaína encontrada em sala de aula e estudantes flagrados com lança-perfume e crack no interior das unidades de ensino.

De acordo com o PM Major Trevisan, a abordagem de alunos é feita geralmente com o acompanhamento da Ronda Escolar, que cobre todas as instituições de ensino do município (leia mais em texto nesta página). “Na maioria das vezes, somos acionados durante o patrulhamento, quando estamos passando na região do local. Há também as denúncias feitas pela administração das escolas, professores e também pela população, que às vezes vê esse tipo de ocorrência na porta das escolas”, explicou.

Quando o envolvido é maior de idade, ele é encaminhado diretamente ao distrito policial. No caso de menores de idade, o Conselho Tutelar e a família do menor são acionados. “Nesses casos, em vez da detenção, é registrado um ato infracional com o recolhimento do menor, que dependendo da situação é encaminhado à Fundação Casa ou então fica com os pais”, disse Trevisan. Para o policial, a impunidade de menores é um dos fatores que mais impulsiona a atuação no tráfico.

Uma vice-diretora de escola que não quis se identificar disse que, às vezes, chegam denúncias à direção a respeito de alunos e pessoas de fora da escola que estariam fazendo uso de drogas nos arredores da instituição. “Geralmente aparecem muitas pessoas de outros bairros na porta da escola. Quando recebemos esse tipo de denúncia, acionamos a Ronda Escolar.” Ela afirmou ainda que a segurança nas instituições de ensino deveria ser reforçada. “Esse pessoal atrapalha muito os nossos alunos, na entrada e saída do horário de aula. Chega a amedrontar. Precisava ter mais rondas”, afirmou.

Para o psicólogo Rafael Barusco Ribeiro, por ser uma fase de descobrimento, é comum que na adolescência uma pessoa venha a experimentar drogas. Levar o entorpecente para a sala de aula, no entanto, pode significar “dependência” ou “status” perante os colegas. “O adolescente geralmente começa a usar droga fora de casa, com os amigos. Se a dependência aumenta, ele passa a fazer uso em casa e depois na escola, que é um local onde ele passa grande parte do dia”, disse. “Ao levar a droga para a escola, o adolescente também se vê em uma situação de ‘controle’ e ‘poder’. Ele pode levar a droga para a escola não só na situação de usuário, mas também como traficante.”
 

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