O trânsito está em cheque em Franca. A frota de veículos dobrou em 10 anos e agora trava ruas e avenidas
Um dos maiores problemas da vida urbana é sem dúvida nenhuma o trânsito. A despeito dos problemas de segurança e do crescimento geralmente desordenado das cidades, as vias congestionadas e perigosas tornaram-se um espaço complicado, gerador de muitos acidentes e estresse em seus moradores. As grandes cidades, como São Paulo, por exemplo, que o digam. Quem já experimentou a capital paulista em qualquer uma de suas importantes avenidas ou marginais, e a qualquer hora do dia, sabe muito bem que esses espaços estão aos poucos se transformando em verdadeiros campos de guerra, com motoristas disputando palmo a palmo o território saturado de veículos.
Nas últimas décadas, porém, o problema foi se interiorizando. Para além dos incentivos governamentais caracterizados pela redução nos impostos, o crescimento da economia e a facilidade do crédito permitiram às camadas de baixa renda realizarem o sonho do carro novo. Em função disso, as cidades de médio porte começaram a experimentar um pouco desse tráfego lento e pesado, com veículos e mais veículos se apertando por suas ruas e avenidas.
Em Franca o cenário não é diferente. Conforme noticiado por este Comércio na terça-feira, 02/10, a frota de veículos dobrou nos últimos 10 anos. Segundo dados do Denatran (Departamento Nacional do Trânsito), em 2002 havia 104.724 veículos circulando pela cidade. Até julho desse ano, o mesmo órgão contabilizou 202.472 veículos, o que perfaz um crescimento de 93,3%, percentual que ultrapassa inclusive o crescimento da frota estadual, que ficou em 89% nos últimos 10 anos.
Esses dados, em seu conjunto, são muito bons. Mostram o aquecimento da economia regional, a despeito dos problemas enfrentados por nossa principal indústria. Em suas entrelinhas, é possível perceber um mercado em expansão, com aumento de renda e geração de novos empregos. Porém, geram também algumas expectativas ruins, já que esse aumento de veículos exerce uma grande pressão sobre a segurança de nosso trânsito, um trânsito que já sabemos ser bastante inseguro, se levarmos em conta o número de acidentes e mortes em nossas ruas e avenidas.
Nesse sentido, é muito importante que nossas autoridades estejam bastante atentas a esses números. Como o consumo de veículos não deverá diminuir nos próximos anos, e as obras viárias não crescerão na mesma rapidez e proporção, será preciso concentrar muita energia e criatividade nos trabalhos de prevenção e fiscalização do trânsito.
Seria importante aumentar as ações educativas, não apenas junto às nossas crianças, em seus respectivos espaços escolares, mas também junto a todos os motoristas, sobretudo aqueles pegos em atos infracionais. Mas é fundamental também revitalizar a malha viária, aumentar o rigor das punições e começar a planejar o futuro, talvez analisando a possibilidade de ciclovias, de rodízios nas áreas centrais ou de outras idéias.
Se nada for feito, o cenário vai com certeza piorar.
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