Apare para e Prefeitura retoma prédio; falta recurso para continuar


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Fachada do prédio da Prefeitura onde funcionava a Apare, no Jardim Guanabara. Associação agora quer atender ex-presidiários e não mais quem está cumprindo pena
Fachada do prédio da Prefeitura onde funcionava a Apare, no Jardim Guanabara. Associação agora quer atender ex-presidiários e não mais quem está cumprindo pena

A Apare (Associação de Proteção e Amparo ao Reeducando e ao Egresso), que oferecia trabalho para presas da Cadeia Feminina do Jardim Guanabara, está com atividades suspensas em Franca desde junho. A associação quer mudar o foco e implantar um novo projeto para trabalhar com ex-presidiários e oferecer a eles cursos profissionalizantes e auxiliar a ressocialização. A Apare alega que buscou parcerias junto à Prefeitura e ao governo estadual, mas a ideia ainda não sairá do papel por falta de apoio. “A Apare sozinha, com os 12 voluntários da diretoria, não tem recursos para iniciar e manter o trabalho. Dependemos de parcerias”, disse o advogado Alexandre César Lima Diniz, presidente da associação.

O projeto para atender egressos do sistema prisional prevê a abertura de 30 vagas para oficinas de corte de calçados, pesponto e pedreiro eclético. Além dos cursos, a proposta inclui atendimento à família deles, retomada dos estudos, auxílio na reinserção no mercado de trabalho e encaminhamento para entidades de recuperação de dependentes químicos. “É uma questão de mais segurança para a comunidade se cada preso ressocializado não voltar a praticar crimes”, disse Alexandre.

Sem previsão de quando será reativada, o prédio-sede onde funcionava a Apare, cedido pelo município, foi devolvido. O edital de retomada do imóvel, no Jardim Guanabara, foi publicado no jornal Comércio da Franca anteontem. Segundo a assessoria especial de relações públicas do gabinete do prefeito Sidnei Rocha (PSDB), as condições do local serão avaliadas para então ser definida que destinação terá.

Segundo Alexandre Diniz, a Apare foi criada na década de 80 e durante um período teve as atividades suspensas. A retomada ocorreu há cerca de dez anos. Até a inauguração do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca e a transferência dos presos da Cadeia Pública do Jardim Guanabara para a nova unidade em 2010, as vagas de trabalho da Apare eram oferecidas para homens em regime semiaberto.

Com a transferência das presas de Batatais para a cadeia de Franca, as mulheres assumiram os serviços. Elas trabalhavam durante a semana, no cultivo de uma horta para vender as hortaliças para a empresa que fornece refeições no presídio e pespontando calçados para uma banca. Em troca, tinham redução de um dia da pena para cada três trabalhados e recebiam salário - com os calçados, ganhavam em média R$ 130 por mês.

Mas como a produção delas estava abaixo da masculina e podem haver transferências das detentas, a diretoria da Apare decidiu suspender os trabalhos. “Percebemos que o esforço estava muito grande para um resultado abaixo do esperado. Era um esforço concentrado nelas e no fim do ano podem sair de Franca. Decidimos mudar nosso foco e trabalhar com os egressos”, disse Alexandre.

BALANÇO
Sete mulheres trabalhavam na Apare quando o projeto foi interrompido. Segundo o Setor de Serviço Social do Fórum - Vara de Execuções Criminais, desde 2002, quando foi reativada, a Apare ofereceu trabalho para 162 presos (até 2010) e 23 presas, entre 2011 e este ano. “Era importante porque elas passavam o dia trabalhando, não ficavam ociosas, tinham algo para tornar o tempo produtivo, aprendiam uma profissão”, disse Alexandre. Na terça-feira, entre as 130 detentas na Cadeia do Guanabara, nenhuma havia trabalhado na Apare.
 

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