Franca tem 4,9 mil jovens entre 18 e 25 anos sem trabalhar ou estudar


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Cerca de 5 mil jovens entre 18 e 25 anos em Franca não trabalham, não estudam nem estão procurando emprego. As informações são do Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A “geração nem-nem” - como esses indivíduos são conhecidos pelos estudiosos - representava aproximadamente 11% dos 44.953 jovens entre 18 e 25 anos que residiam em Franca há dois anos.

O número apresenta um pequeno aumento em relação ao último Censo, realizado em 2000. Doze anos atrás, eram 4.484 jovens sem trabalhar, estudar ou procurar emprego. Eles representavam 10,53% de um total de 42.582 jovens entre 18 e 25 anos.

O sociólogo e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Agnaldo de Sousa Barbosa, acredita que o número de jovens sem trabalhar ou estudar está intimamente ligado a uma característica da sua geração: o desinteresse. “A própria dificuldade de obter emprego atualmente já é o suficiente para desestimular o jovem”, explica o estudioso. “Além disso, uma grande parte da geração atual de jovens não se interessa pelo convívio e normas sociais e de cidadania. Assim, acaba por desistir da convivência em sociedade.”

Barbosa acredita que, entre os jovens da “geração nem-nem”, possam estar incluídas muitas jovens que ficaram grávidas na adolescência e que agora precisam cuidar dos filhos. “Se houvesse serviços sociais públicos que pudessem acolher as crianças dessas mães, isso não seria nenhum problema para elas. Essa é uma situação que é encontrada não só no Brasil, mas em outros países também”, ressalta.

E como vivem os jovens da “geração nem-nem”? Depende da classe social. O sociólogo conta que os indivíduos mais ricos vivem do dinheiro dos pais, enquanto os mais pobres acabam tendo que se sustentar através de bicos ou até mesmo em situação de mendicância.

Segundo Barbosa, para diminuir o número de jovens que não trabalham nem estudam é preciso fazer com que eles tenham alguma utilidade e importância na sociedade. Uma medida seria aumentar o número de creches, de forma que as mães possam trabalhar e estudar. Uma outra, mais ampla, seria investir na educação. “A própria precariedade das escolas desestimula o estudante a seguir em frente. Se o aluno não tem nenhuma perspectiva de futuro, para quê estudar? A melhoria da qualidade de ensino poderia ser uma das iniciativas a partir do poder público”, acredita.

Algumas das propostas do sociólogo já são implementadas pela Prefeitura, que possui diversos projetos dedicados a auxiliar as pessoas mais jovens a estudar e a trabalhar. 
 

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