Frota dobra e trava as principais ruas de Franca


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CAOS - Foto de arquivo mostra trânsito na rua Monsenhor Rosa, no Centro de Franca: 100 mil veículos a mais em 10 anos
CAOS - Foto de arquivo mostra trânsito na rua Monsenhor Rosa, no Centro de Franca: 100 mil veículos a mais em 10 anos

A frota de Franca dobrou em 10 anos. São praticamente 100 mil veículos a mais rodando pelas ruas e avenidas da cidade, que não acompanharam a evolução do trânsito e travam nos horários de pico. De acordo com dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), a frota francana aumentou 93,3%. Em 2002, havia 104.724 veículos circulando pela cidade, entre automóveis, motocicletas, caminhões, ônibus e outros. Em julho deste ano, o número era quase o dobro - 202.472 veículos. O índice de crescimento é maior que o apresentado pela frota em todo o Estado de São Paulo, que sofreu um acréscimo de 89% nos últimos 10 anos.

O tráfego em alguns trechos das principais avenidas da cidade fica praticamente parado nos horários de maior fluxo de veículos. O mesmo ocorre nas ruas do Centro, principalmente nos dias de pagamento de salários. Na semana passada, reportagem do Comércio mostrou a situação de cinco locais que são alvos constantes de reclamações: os cruzamentos da Alonso y Alonso com Champagnat; Hélio Palermo com Orlando Dompieri e com Professor José Rodrigues da Costa Sobrinho; Brasil com Adhemar de Barros; e a ligação entre bairros próximos à Vila São Sebastião. O nó causado no trânsito pelas rotatórias gera queixas e causa pequenos acidentes. Além desses cinco pontos, os francanos também precisam ter paciência no cruzamento das avenidas Severino Tostes Meirelles, Wilson Sábio de Mello e Rio Amazonas, no Distrito Industrial, e na Abrahão Brickmann, no Leporace.

Na manhã de ontem, nas imediações do Terminal de Ônibus “Ayrton Senna”, era raro encontrar alguém que não tivesse alguma queixa sobre o trânsito na cidade. A fonoaudióloga Ivana Moreira acredita que os problemas no trânsito em Franca são todos em decorrência do grande número de carros em circulação. “Nos horários de pico, há um movimento muito grande de carros no Centro. A gente fica sem ter onde estacionar. A estrutura de Franca não comporta tantos automóveis.”

A imprudência dos motoristas e a sinalização também são alvos de reclamação. “A cidade precisa de mais sinalização em locais como em avenidas e rotatórias, onde acontecem muitos acidentes. Na frente da minha casa, acontece acidente direto, porque o motorista francano é burro”, afirmou o aposentado Egidio Joaquim Maria. A dona de casa Simone Cristina Batista acrescenta que os motoristas não respeitam a faixa de pedestres.

Os motoristas de ônibus também estão insatisfeitos com o que veem diariamente nas ruas de Franca. O motorista Elias Roberto queixa-se que a instalação de semáforos, como o da rua Doutor Júlio Cardoso, deixou a circulação lenta. Já Daniel de Alvarenga aponta que já viu faixas amarelas que não se estendiam por cinco metros até a próxima esquina. “Às vezes, tem carros parados nas esquinas. Aí não dá para virar um ônibus deste tamanho.”

Entre os motoqueiros, como o tingidor Ivo de Souza e o comerciante Flávio Rodrigues, uma queixa se destaca: condutores de outros veículos impedem suas passagens por avenidas e rotatórias. Já o comerciante Paulo Oliveira, que também é motoqueiro, reclama que falta sinalização nas vias francanas. “Tem lugares que não tem o ‘Pare’ nem no chão nem em placa.”

O especialista em trânsito Alexandre Chioca acredita que a administração pública deveria investir em estudos visando a melhoria do trânsito em longo prazo. “Hoje, os problemas são resolvidos de forma paliativa. Esses levantamentos precisam encontrar meios para reduzir o número de veículos de grande porte no Centro e aumentar a fiscalização, porque existe muita impunidade no trânsito.”
 

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