Mata ciliar no Jardim Pinheiros se transforma em ‘QG’ de traficantes


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 Carro passa por rua que corta mata no Jardim Moreira Júnior: local tornou-se ponto de tráfico e amedronta moradores da vizinhança
Carro passa por rua que corta mata no Jardim Moreira Júnior: local tornou-se ponto de tráfico e amedronta moradores da vizinhança

A mata que divide os bairros Jardim Pinheiros e Residencial Moreira Júnior, na zona norte de Franca, tem chamado a atenção da polícia nos últimos meses. A área de preservação ambiental de pouco mais de 60 metros de largura, exigida por lei, que margeia um pequeno córrego, foi adotado por traficantes da região como “quartel general” na venda de drogas.

Segundo levantamento da reportagem através de publicações do Comércio, cinco operações realizadas pela Polícia Militar, entre junho e agosto deste ano, resultaram na prisão de três pessoas, na apreensão de dois menores e na coleta de mais de dez quilos de droga - maconha, crack e cocaína. Os entorpecentes estavam enterrados ou com os próprios acusados. De acordo com a Polícia Civil, as matas propiciam fuga fácil para os bandidos.

O córrego corta a zona norte, mas a vegetação mais densa e “frequentada” se estende por um quilômetro, justamente o comprimento dos bairros Moreira Jr. e Pinheiros. A Polícia Militar não tem dados exatos sobre as ocorrências no local, mas a população garante que o policiamento foi intensificado. Na última operação, em 29 de agosto, um adolescente de 15 anos foi apreendido com 110 gramas de cocaína e algumas porções de crack. Foi a menor das apreensões. Nos dias 5 e 6 de julho, os policiais tinham pêgo 9,4 quilos de droga, enterrados na mata.

MEDO
A movimentação de entra e sai da mata é feita através de uma ponte, que interliga os bairros. Moradores tomaram a iniciativa e cercaram o local. Não adiantou. Traficantes arrancaram os arames. “Eu passo quatro vezes por dia [na ponte]. Um dia um deles saiu daqui [da mata] e me parou. Falou: ‘me dá cigarro’! Eu disse que não tinha cigarro porque eu não fumo. Ele respondeu: ‘então me dá dinheiro para eu inteirar’. Nem sei o que disse, eu fui logo embora”, contou o açougueiro MRS, 57, do Jardim Pinheiros, que afirmou nunca ter sido roubado.

O pedreiro APA, 46, morador no Moreira Júnior, em frente à mata, mostrou à reportagem onde os usuários de drogas se reúnem, seja dia ou noite. Em meio às bananeiras, há banquinhos improvisados com pedras. O pedreiro vai além nas denúncias e afirma que sua mãe, de 74 anos, já foi agredida no local. “Tem muito maconheiro sem vergonha que cerca as pessoas de idade e tenta roubar e matar. Minha mãe levou tapa na cara aqui nessa matinha. Tem que cuidar daquela ponte porque tem muito bandido”, apelou.

A dona de casa SMGR, 44, moradora há 17 anos no Residencial, evita ficar na rua por medo de roubos. “Existe o risco. Tem muita movimentação. Já vi muita polícia entrar ali”, limitou-se a dizer ao ser questionada sobre o tráfico. Para se precaver, gastou R$ 20 mil para aumentar os muros da casa.
 

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