Prato é anterior ao fogo


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Vilson Teixeira de Souza prepara canja no pão italiano, especialidade da loja de conveniência
Vilson Teixeira de Souza prepara canja no pão italiano, especialidade da loja de conveniência

Para alguns pesquisadores, caldos e sopas são os pratos mais antigos do mundo, anterior inclusive ao assado de carnes, pois há indícios dessa refeição antes mesmo da descoberta do fogo. De qualquer forma, foi com o fogo que o homem percebeu melhor as qualidades da sopa. Colocando suas caças para ferver na água com ervas e outros ingredientes, logo percebeu que as carnes duras ficavam mais macias e saborosas.

A partir daí, pode-se dizer que a sopa se incorporou completamente à civilização. Por sua praticidade, pelo baixo custo e por seu alto valor nutritivo e energético tornou-se a base alimentar de praticamente todos os povos, servindo tanto à população mais pobre como também aos reis e nobres mais exigentes.

A Bíblia nos conta que ainda no Egito os hebreus já preparavam suculentos caldos. Na Grécia, a sopa fazia enorme sucesso. Em Atenas, havia a de lentilhas e em Esparta, o “caldo negro”, feito com sangue de alguns animais e misturado com vinagre e especiarias, algo parecido com o tradicional frango ao molho pardo, da culinária mineira.

Na China, os camponeses se reconfortavam com sopas de arroz e favas. Na antiga Roma, o prato principal era uma sopa de grão de bico acompanhada de verduras, legumes, frutas e queijos. Apesar da decadência do Império Romano, a sopa não sucumbiu. Ao contrário, levada por ele, atravessou o Império Bizantino e invadiu a Idade Média europeia, transformando-se, inclusive, em um alimento de luxo.

Durante esse período, de fato, as sopas ganharam notoriedade em todos os extratos da sociedade. A medicina reconheceu suas virtudes terapêuticas e passou a prescrevê-la como remédio, sendo o caldo de galinha o mais importante e receitado.

Na mesa do pobre o caldo era o alimento complementar mais importante. Na mesa dos mais ricos, o caldo começou a entrar aos poucos. Primeiro, passou por frades e conventos e apenas lentamente foi surgindo no repertório culinário da nobreza europeia, onde os caldos, diferentemente da sopa dos pobres, eram fartos em carnes e condimentosa. Por essa época, eram comuns as sopas agridoces, nas quais usava-se mel e, mais tarde, açúcar.

TOQUE DE CLASSE
A partir do século XVI, os caldos deixaram de ser apenas o sustentáculo dos pobres ou o símbolo de status dos mais nobres. Nesse período as cozinhas italiana e francesa deram o seu “toque de classe” à arte de prepará-los, introduzindo a novidade das massas e ervas aromáticas, como tomilho e orégano.

No século XVII, Louis 13, rei da França, saboreava, diariamente, dois grandes pratos de sopa. Entusiasmado com os legumes, mandou que se plantassem no Palácio de Versailles os mais delicados e deliciosos legumes e estes passaram a entrar nas inúmeras “potage de plaisirs” (sopa de prazeres) que se tornaram a última moda entre a aristocracia francesa e se espalharam pelas demais aristocracias ao redor do mundo.

Nas mãos dos mais célebres chefs franceses, as receitas de caldos se enriqueceram. Durante o século XIX, as sopas passaram a abrir o menu dos jantares das boas mesas em toda a Europa. Dessa forma, as sopas atravessaram a história da humanidade e continuam até hoje a fazer parte do hábito alimentar dos homens. Por um lado, os caldos mais sofisticados são servidos como entrada nas mesas mais fartas para abrir o apetite. Por outro, a sopa ainda guarda seu status de prato único e substancioso junto às famílias pobres.
 

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