Julgamento


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Quando Sócrates, o maior filósofo grego foi sentenciado à morte pelos juízes que o julgavam, seus discípulos, desesperados, foram ter com o mestre, dizendo: ‘Sócrates, os juízes o condenaram.’ O filósofo, que havia sido condenado a beber cicuta por ‘corromper’ a juventude da sua época - na verdade, a libertava de falsas crenças -, em resposta, disse aos seus discípulos: ‘Eles também estão condenados.’

Como compreender esta imperturbabilidade do filósofo, se não fazendo uma conexão com seu lema de vida do ‘conhecer-se a si mesmo’, como exortava a inscrição no frontispício do oráculo de Delfos, aonde comparecia para consultas? Sabia o mestre da juventude ateniense que é em nossa consciência que se acha instalado o tribunal divino, diante do qual não adianta tergiversar, porque ali somos os réus, os advogados e os juízes. Da justiça da consciência não vale pretender-se a fuga. Não há como fugirmos de nós mesmos. Não há conchavos. Não há acordos. Não há falsos testemunhos.

Somos sempre nós mesmos diante da Lei de Deus, conforme nos ensina a resposta à questão 621 de O Livro dos Espíritos, segundo a qual a Lei de Deus está inscrita na consciência de cada um. Portanto, mesmo que os tribunais da Terra nos inocentem, nossa consciência é que nos dirá das responsabilidades. Mesmo que provas sejam forjadas para nos inocentar, diante de nós mesmos não há como escondermos a realidade dos fatos.

Nossa realidade espiritual registra indelevelmente tudo o que pensamos, sentimos e fazemos, no decorrer da nossa existência.

Quando desencarnamos, nos registros da consciência rodará como que um filme a nos mostrar, de diante para trás, os quadros de nossa vida que nos importa apreciar.

Não há como negar a realidade das nossas atitudes. O bem que houvermos praticado se nos refletirá como confortadora luz na consciência. O mal que tenhamos feito refletir-se-á como sombra a nos impor terrível desconforto moral.

Assim, aconselha-nos a Doutrina Espírita que procuremos a vivência na verdadeira caridade, a fim de que não nos envergonhemos quando houvermos de apresentar a nossa prestação de contas das colunas de débito e crédito morais. É que dessa prestação de contas resultará a natureza das provas ou expiações que deveremos enfrentar na próxima experiência reencarnatória.

A escolha é nossa, porque a nós foi concedida plena liberdade de agir. Daí Jesus haver assegurado que o reino de Deus está dentro de nós mesmos.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca 

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