Exportação de calçados despenca 58% em 10 anos, diz Sindifranca


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 Funcionário trabalha na indústria de calçados femininos Floter: 90% das vendas são no mercado interno
Funcionário trabalha na indústria de calçados femininos Floter: 90% das vendas são no mercado interno

Ao mesmo tempo em que o setor calçadista tem vendido mais para o mercado interno, as exportações despencaram num período de dez anos. Em 2001, as empresas brasileiras comercializaram 25,5 milhões de pares de calçados dentro do País, correspondendo a 78,6% das transações comerciais. Dez anos depois, o mercado interno consumiu 34,1 milhões de pares, sendo responsável por 91,9% dos negócios. No mesmo intervalo, as exportações caíram de 7 milhões para 3 milhões de pares - a participação foi de 21,4% em 2001 para apenas 8,1% em 2011.

As informações foram divulgadas no relatório mensal do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca) referentes ao mês de agosto, com base nos dados do MDIC (Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

No mesmo relatório, o Sindifranca também divulga uma estimativa da produção de Franca, baseada no número de funcionários empregados pelo setor calçadista da cidade no banco de dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os números revelam que houve um crescimento na produção de calçados. Foram 32,5 milhões de pares em 2001 e 37,2 milhões em 2011. Em 10 anos, a fabricação do setor aumentou 14%.

Para o economista Hélio Braga, a tendência de diminuição em exportações começou há sete anos. “Existem dois fatores responsáveis por isso. Um deles é o câmbio desfavorável desde 1995 até os dias de hoje, com exceção de um ano ou outro. O problema da depreciação cambial acabou afetando as exportações não apenas de calçados, mas no país de uma forma geral.”

O segundo fator está relacionado à concorrência mundial. Braga explica que o avanço chinês no setor também prejudicou as exportações. “A produção de calçados da China nos anos 70 era de 800 milhões de pares ao ano. Hoje, o país produz 8 bilhões de pares anuais.”

Como as condições do mercado externo pioraram, os calçadistas se voltaram para o interno, segundo Braga, causando o aumento nas vendas apontado pelo Sindifranca. “De quatro anos para cá, houve uma sensível melhora no consumo per capita de calçados que, de modo generalizado, aumentou. Com a melhoria da renda e das facilidades de crédito, mais pessoas tiveram acesso ao setor.”
 

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