O candidato da situação à Prefeitura de Rifaina, Abrão Bisco Filho (PTB), faltou ao debate com os concorrentes promovido pelo GCN, que publica o Comércio, ontem. Comunicado enviado por e-mail pela assessoria de imprensa, 27 minutos antes da abertura do programa, informava que ele estava com um quadro de náuseas “associado a episódios de diarreia e cólica abdominal de forte intensidade”. Os adversários na corrida pela sucessão municipal na cidade balneária perderam a oportunidade de explorar a ausência do favorito a vencer as eleições. Também pouco falaram de suas propostas.
Ao contrário dos debates anteriores, com os “prefeitáveis” de Cristais Paulista, Restinga e Pedregulho, que foram marcados por críticas e propostas dos participantes, os candidatos de Rifaina fizeram um debate frio, com raros momentos de confronto. Danilo Cintra (PSDB) demonstrou dificuldade para expressar suas ideias e não aproveitou o tempo para detalhar suas propostas ou tentar convencer os eleitores. Quando teve a chance de fazer uma pergunta a Abrão e aproveitar o tempo para detalhar suas propostas, preferiu abrir mão. Coube a Gilmar do Chapéu (PDT) quebrar a monotonia e animar o debate com frases de efeito. “Enfrentei uma Câmara onde os caras já sabiam que estava nascendo um político top. Vocês acham que eles iriam aprovar requerimento de um vereador deste naipe?”, disse, ao ser questionado por Danilo sobre o fato de não ter conseguido aprovar projetos como vereador.
Gilmar disse que ser prefeito de Rifaina é um sonho de criança. Afirmou que correu descalço pelas ruas, que conhece os problemas da cidade e se sente o mais preparado para assumir a administração com uma “média muito acima” dos adversários. “Não sou eu que estou correndo atrás da Prefeitura. É a Prefeitura que está correndo atrás de mim.”
Danilo Cintra disse que não corre atrás de cargos. Afirmou que se candidatou por ideal. “A pobreza me tocou muito. Sou bem sucedido na minha vida pessoal e, hoje, queria fazer um pouco por Rifaina.”
Gilmar criticou o adversário e disse que Danilo deveria ter se candidatado em Franca, onde mora. “Talvez, tenhamos a cara de otário, de bobo, às vezes, até por usar chapéu. Mas, não é assim, não. Somos muito ativos. Em Rifaina, não entra qualquer um.” Danilo reagiu à provocação. “Não sei porque você está metendo o pau em mim e esquecendo o lado de lá (numa referência a Abrão Bisco). Não sei se é porque tem medo de eu ganhar. Fala que eu sou ladrão, bandido. Não tô entendendo ocê (sic). Estou fazendo uma campanha limpa.”
Nas raras vezes que falaram de propostas, disseram que vão incentivar o turismo, conceder bolsa aos estudantes, melhorar a segurança na região dos ranchos e construir casas populares.
Apenas nas considerações finais, os dois candidatos que tentam desbancar o homem escolhido pelo atual prefeito, Hugo Lourenço (PMDB), para sucedê-lo, se lembraram de citar a ausência de Abrão Bisco. “Venho crescendo nas pesquisas. É por isso que o Abrão passou mal e não veio. A situação deles lá é delicada”, disparou Danilo. Gilmar buscou um exemplo do futebol para criticar o adversário ausente. “O Ronaldo Fenômeno teve uma convulsão na final da Copa de 98, mas foi lá e jogou. Perdeu com dignidade. É uma vergonha ele não ter aparecido aqui.”
Como foi o debate
Abrão Bisco Filho (PTB)
O candidato Abrão Bisco Filho faltou ao debate. Alegou “razões médicas” para sua ausência.
Danilo Alves (PSDB)
Visivelmente desconfortável, Danilo não deu nenhum sorriso durante todo o debate. Manteve as mãos sempre nos bolsos ou cruzadas para trás. Econômico nas palavras, foi sucinto até ao fazer sua apresentação, afirmando apenas ser candidato pela primeira vez. Praticamente não defendeu nenhuma proposta. Falou um pouco mais ao ser questionado sobre segurança nos ranchos. O candidato alegou que precisa implantar o uso de barcos para fazer rondas.
Gilmar do Chapéu (PDT)
O candidato do PDT pretende criar uma lei proibindo a venda de habitações populares pelo prazo de duração do contrato e aparelhar a Guarda Municipal. Acusou a administração de não divulgar a lista da bolsa universitária por beneficiar gente que não necessita. Também protagonizou o momento mais engraçado do debate ao comentar as proibições impostas pela atual administração ao turistas. “Falta eles colocarem uma placa proibindo entrar na água.”
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