Por dia, pelo menos uma denúncia de abandono, ameaça, maus-tratos ou uso do dinheiro da aposentadoria sem autorização dos idosos é feita em Franca. Os casos são registrados pela Promotoria do Idoso, Comuti (Conselho Municipal da Terceira Idade) e Creas (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), responsável por receber as denúncias feitas pelo telefone Disque 100 - Direitos Humanos, centralizado em Brasília. Os dados foram divulgados com exclusividade ao Comércio ontem, Dia Nacional do Idoso. O dia internacional é comemorado em 1º de outubro.
As estatísticas do Disque 100 na cidade registraram aumento. Antes mesmo de terminar, 2012 tem mais casos que o anterior. Até agosto, foram 23 denúncias sobre idosos em risco ante 20 feitas de janeiro a dezembro de 2011. No total, o Creas, somando as ocorrências informadas por outros órgãos e procura espontânea dos usuários, registrou 58 casos envolvendo idosos. “Todos os tipos de violação são denunciados ao Creas, mas o maior número diz respeito à negligência, ou seja, falta de prover cuidados necessários ao idoso. Normalmente são verificadas dificuldades socioeconômicas e afetivas dos responsáveis pelos cuidados dele”, disse a assistente social Roberta Pucci, coordenadora do Creas.
As denúncias são feitas por vizinhos, familiares e pelos próprios idosos - em menor número. Pelas estatísticas, 65% das vítimas são mulheres e a idade média das vítimas é superior a 70 anos. A Promotoria do Idoso costuma registrar em média quatro casos por semana. Há histórias de violência e abandono, mas a maioria é de filhos viciados em drogas que furtam os pais idosos, brigam e ameaçam-nos quando não conseguem dinheiro para sustentarem o vício.
Já no Comuti, a ocorrência que predomina é de familiares que se apossam do cartão bancário dos idosos e utilizam, sem autorização, a aposentadoria ou outro benefício. “Tenho observado que as pessoas têm se deixado levar pelo lado emocional, porque gostam do neto, têm aquele sentimento de carinho e acabam cedendo, mas não é justo”, disse a assistente social Victalina Di Gianni, 75, vice-presidente do Comuti.
Um dos casos acompanhados pela assistente social do Ministério Público, Ana Maria Casemiro, entristece. Após receber uma denúncia de vizinhos, ela chegou a uma residência na zona norte da cidade e encontrou um senhor de 79 anos sentando em uma cadeira, sujo e sem forças sequer para conversar. Estava desidratado e sem se alimentar havia dias. A comida que existia na casa estava estragada. Abandonado, o senhor estava desidratado e com pneumonia. Ele foi encaminhado para um lar de idosos e a Promotoria do Idoso conseguiu localizar seus filhos, que moram em outra cidade e passaram a visitá-lo.
Neste ano, um lar que atendia apenas mulheres foi denunciado por irregularidades. Após intervenção do promotor do Idoso, Murilo Lemos, a instituição foi fechada por não promover as adequações exigidas para o atendimento apropriado.
PROVIDÊNCIAS
Após as denúncias serem feitas, as equipes do Creas, Promotoria e membros do Comuti verificam se são reais e tomam providências. Alguns casos são encaminhados para a Polícia Civil investigar. O Creas atende as vítimas e parentes delas em parceria com a Casa São Camilo de Lellis, com o objetivo de fortalecer os vínculos familiares. Quarenta e quatro idosos estão em acompanhamento hoje.
Em situações mais graves, a Promotoria do Idoso costuma aplicar medidas de proteção imediatas, que podem ser o afastamento do filho dependente químico do convívio com os idosos ou encaminhamento dele para tratamento contra o vício.
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