As decisões na área de educação são centralizadas pelo poder federal. É de lá que proveem as diretrizes norteadoras. No entanto, cada município gerencia o ensino básico, desde a pré-escola. Cabe ao Estado organizar a aprendizagem média. Já a instrução superior, além da participação municipal e estadual, conta também com a manutenção federativa.
Apesar da tríplice coligação de política educacional, o ensino vai mal, muito mal, em todas as esferas. De nada adianta os recursos de maquiagem empregados na camuflagem dos resultados. O modo de viver da população escancara a realidade. E, isso põe à mostra a educação que a sociedade recebe da família e da escola institucionalizada.
Notícias e reportagens da última semana demonstram seguidas ingerências na educação. De novo mesmo, não existe nada. A velha cantilena tem repetição constante. Ora é necessário fechar escola para abrir instituição de ensino técnico. Ora se torna necessário modificar o currículo do ensino médio. Os iluminados sempre têm a receita para melhorar o setor educativo.
Em São Paulo, o ex-ministro da Educação e candidato do PT à Prefeitura prega a criação da escola em tempo integral. Num encontro de bairro, explicou a proposta aos presentes na última sexta-feira. Quando a criançada soube que, pelo plano, estudaria o dia todo, com um segundo período voltado para atividades culturais e de lazer, protestou, vaiou e foi embora.
A experiência de escola em tempo integral já foi implantada pelo Estado. Não deu certo em todos os lugares. Em Franca, o exemplo está na Escola Otávio Martins. Como rescaldo do sistema em que o aluno fica o dia todo estudando, essa instituição estadual vem recebendo ameaças de fechamento.
Aliás, não é somente a escola pública que sofre e pode fechar. Há outras, e fechamento de escolas traz prejuízo irreparável à população. Além disso, mais tempo será gasto no deslocamento futuro dos alunos.
Não bastassem as inúmeras falhas de cálculo e gerenciamento na aplicação de provas por parte do MEC, o ministro da Educação chega agora à ‘original’ conclusão: ‘os alunos deixam a escola sem saber ler nem escrever’. Ele propõe um ensino fundamental mais atrativo. No entendimento dele, isso, além de estimular a leitura, coíbe a evasão.
Ainda de acordo com o ministro, o ensino médio deve ter uma nova divisão curricular. A ‘inovação’ não fica nisso. O estudo também precisa ser voltado para a área técnica profissionalizante. O Brasil necessita de técnicos! Para a autoridade da educação, ‘os jovens deixam a escola para trabalhar mais cedo do que deveriam’. Então, ‘tá’! O ministro não conhece o chão da escola. O aluno deixa o estudo porque não quer estudar.
Trabalho lícito não tira estudante da escola. O contrário, sim. Basta fazer uma pesquisa séria para se comprovar o caminho seguido por menores que deixam a escola antes do tempo.
Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br
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