A adolescente Hellen Carolina de Souza Maki, 14, moradora no Jardim Santa Bárbara, passou oito horas deitada em uma maca no corredor do setor de pronto-atendimento da Santa Casa, com infecção de rim, à espera de um leito. Antes, já havia esperado outras 11 horas no pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, onde foi castigada também pelas goteiras do novo prédio. Depois de mais de um dia de espera, conseguiu um quarto adequado para ser internada. A Santa Casa confirma que chegou ao limite de vagas (leia mais nesta página).
O drama foi acompanhado de perto pela dona de casa Cleuza Maria de Souza, 47, mãe de Hellen. Ainda na manhã de sexta-feira, a adolescente teve uma crise de dores no rim e precisou ser levada às pressas para o PS. Lá, ficou em observação até que a infecção fosse diagnosticada. Às 16 horas, quando uma tempestade atingiu Franca, o teto do corredor principal do ambulatório foi tomado por infiltrações. “Foi alagado lá. Molhei meu tênis todo, tive que passar a noite inteira molhada, sem tomar banho, sem dormir, estou um bagaço”, lamentou a dona de casa.
Às 21 horas de sexta, foi dada a autorização de transferência para a Santa Casa, onde Hellen foi deixada em uma maca, no corredor do pronto-socorro, junto a dois outros pacientes. “O que eu não quero para minha filha não quero para ninguém. É muito triste você pensar que a menina está com febre e não melhora. Você vê ela numa situação crítica, onde nem banho toma”, contou Cleuza.
Após vários apelos, enfermeiros levaram a garota, por volta das 6h30 de sábado, para um quarto, junto com outros pacientes que também aguardavam uma vaga. Foi alimentada e medicada. Às 15 horas, o tão esperado leito chegou. “Eles (funcionários do hospital) falam que não têm culpa, porque está lotada a Santa Casa”, conformou-se a dona de casa.
REINCIDENTE
Na última quinta-feira, mais pessoas sofreram com a falta de leitos no hospital. A doméstica aposentada Maria Luiza da Silva, 80, moradora na Chácara Morada do Sol, teve de esperar cerca de 9 horas deitada em uma maca, na recepção da ortopedia da Santa Casa, para que pudesse fazer uma cirurgia no fêmur. Já a dona de casa Varlei Eurípedes Carlos, 56, ficou mais de 24 horas em uma sala de recuperação, após ser operada, por falta de leitos.
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