Moradores de Cássia - MG ficam apavorados com crimes violentos


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Professora vítima de assalto em Cássia confere instalação de mais uma barra de aço na porta de sua casa
Professora vítima de assalto em Cássia confere instalação de mais uma barra de aço na porta de sua casa

Na semana passada, dois crimes graves quebraram a tranquilidade e calmaria características de Cássia (MG). A cidade de 18 mil habitantes ficou chocada com o sequestro de Clara Alves Campos, de 15 anos. Quatro assaltantes encapuzados raptaram a adolescente na porta de sua casa quando ela era levada pela mãe para a escola na manhã de terça-feira. Os bandidos chegaram a disparar dois tiros para o alto. Na madrugada seguinte, a professora Márcia (nome fictício), 53, que mora sozinha, teve a casa invadida por um ladrão, que a ameaçou.

Os dois crimes são assuntos comuns nas rodas de conversa nas praças, comércio e ruas. A maioria dos moradores conhece as vítimas e se colocou no lugar delas. “Está acontecendo coisa que não tinha aqui, numa cidade pequena igual Cássia. Está muito violenta”, disse o funcionário público aposentado Genésio Paula, 72. “É perigoso andar sozinho à noite e nem saio de casa nesse horário.”

A cabeleireira Sumália Cruz, 44, disse que a insegurança passou a fazer parte da sua rotina. Na última semana ela soube de pelo menos seis furtos praticados em Cássia, sendo três deles à mesma residência. “A gente está tudo em pânico aqui na cidade. É um absurdo o que tem ocorrido, de onde está vindo tanto marginal? Em São Paulo e no Rio de Janeiro são esperados crimes, sequestros. Nem Franca, que tem um tanto de gente poderosa, registra sequestro e vai acontecer isso em Cássia?”

Na rua dela, dois vizinhos tiveram as casas furtadas durante o dia. “Saio para trabalhar e só volto à noite. O medo é chegar em casa e não encontrar minhas coisas lá. Minhas clientes têm reclamado de medo da violência também.”

O taxista José Dias, 63, diz que seus passageiros e as pessoas com quem conversa no ponto estão com medo. “Está muito diferente. Aqui, uns anos atrás, você podia sair e deixar a porta amarrada com um barbantinho, hoje você tranca e tem que ficar olhando para trás para ver se não estão entrando na sua casa.”

Moradores disseram que já mudaram os hábitos para aumentar sua segurança. O bancário aposentado José dos Santos, 67, e sua mulher são vizinhos da família Campos, vítima do sequestro, e ficaram temerosos após o episódio. “Depois de terça-feira, a gente ficou muito tenso. Tem que estar sempre preocupado. Agora olho na janela antes de sair para ver quem está em volta da gente, fecho e tranco o portão sempre.”

AVALIAÇÃO
O comandante do Batalhão da Polícia Militar de Cássia, tenente Olair Rivaldo de Carvalho, disse que o medo assola muito a população neste momento porque, por coincidência, dois crimes violentos ocorreram na mesma semana, em dias seguidos. Segundo ele, o índice de crimes violentos na cidade é de um a cada dois meses.

O tenente afirmou que os índices são “aceitáveis e não estão alarmantes”, mas ele confirmou que houve uma onda de furtos a estabelecimentos comerciais nos últimos dois meses. Ele acredita que a prisão de dois assaltantes na sexta-feira passada e a apreensão de três menores - de 13 a 16 anos -que praticaram o crime “saidinha de banco” há 15 dias, resultarão na queda dos crimes nos próximos meses.

O investigador Régis Rangel, que atua há 19 anos na Delegacia de Cássia, confirma que nos últimos anos o número de ocorrências aumentou, mas diz que neste ano o índice está normal. “Como em outras cidades, a tendência é aumentar a criminalidade pelo crescimento da população, melhora de renda e outros fatores sociais”.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais informou não ter estatísticas dos crimes ocorridos neste ano divididas por municípios.

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