Bom debate


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É quase consenso em todo o país que as eleições municipais desse ano estão mornas e sem graça, sobretudo quando comparadas aos pleitos anteriores, todos eles mais ruidosos e empolgantes.

As explicações para isso também são quase consensuais. Em primeiro lugar está faltando dinheiro. Em tempos de mensalão, os esquemas de financiamento ilícitos se retraíram e os doadores resolveram recolher um pouco seus bolsos. Em segundo lugar, as exageradas restrições do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) inviabilizaram uma série de ações dos candidatos, diminuindo-lhes os espaços e os canais de comunicação com os eleitores. Há ainda, claro, um certo desânimo da população em relação à política, um traço marcado em grande parte dos brasileiros.

Dessa forma, sobraram as bandeiras nas ruas, os carros de som, algumas poucas e pequenas placas e principalmente os meios de comunicação eletrônicos e impressos. Nestes, a propaganda eleitoral segue basicamente dois caminhos. Por um lado os programas gravados e impressos que são preparados pelos próprios candidatos e suas equipes de marketing. De outro os debates organizados pelos veículos de comunicação e outras instâncias da sociedade civil, nos quais os candidatos não têm o controle nem do tempo nem de todas as questões que lhe serão colocadas.

Dentro desse contexto mais comedido de propaganda e entusiasmo, era de se esperar que os candidatos se apegassem bastante aos debates, já que eles são vistos pela população como o único momento no qual eles são realmente instados a discutir os problemas de suas cidades e a enfrentar seus próprios fantasmas, uma vez que em seus programas eleitorais eles podem sempre dizer o que querem.

Infelizmente, porém, o que temos visto são debates que refletem exatamente o mesmo tom das campanhas. Eles estão mornos e sem graça. Em linguagem popular, estão ‘xoxos’. Talvez seja a falta de jeito do brasileiro para o debate. Pouco talhado para o confronto de idéias, ele geralmente prefere fugir dos questionamentos ao invés de enfrentá-los abertamente, colocando de forma clara suas idéias e suas convicções.

De forma geral, nossos candidatos estão dando um péssimo exemplo à população e ao próprio pleito, em si mesmo. Não confrontam seus adversários, são pouco assertivos, não se utilizam corretamente das réplicas e não se posicionam de forma clara, tanto em relação as suas próprias propostas como as de seus adversários, o que enfraquece a discussão e deixa um rastro de dúvidas na cabeça dos eleitores.

Nessa sequência de sabatinas e debates pouco produtivos, no entanto, é preciso ressaltar o bom desempenho dos candidatos à Prefeitura de Cristais Paulista e também de Restinga. De forma geral, eles tiveram o comportamento que se espera de alguém que se propõe ao debate. Foram objetivos, tentaram deixar claras suas posturas, criticaram os adversários, realizaram réplicas e tréplicas condizentes com o tema e todos abordaram assuntos de interesse do cidadão das cidades que representam.

Nessa seara de posturas inexpressivas e sem assertividade, seria bom que esse debate servisse como exemplo aos demais debatedores.

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