Segundo o padre Sebastião Fábio Girolamo, vigário geral da Diocese de Franca, a tradição das cruzes, que vem da cultura ibérica, não é mantida apenas na cidade. Estradas de todo o país têm o símbolo que lembra a morte de alguém no trânsito.
Até o início do século passado, quando os cemitérios ainda não eram populares, muitos corpos de vítimas de acidentes eram enterrados mesmo ao lado das rodovias, no ponto do acidente. Geralmente, quem morria nas estradas, era enterrado no próprio local.
“Antigamente, havia a dificuldade de se transportar os corpos, até pela distância e pela condição das estradas. Então os corpos eram enterrados e uma cruz marcava o local onde o corpo estava”, explicou o padre Sebastião.
Desde então, é costume entre as famílias cristãs marcar locais de tragédias com os crucifixos, para homenagear o ente querido e marcar o local da morte. “Hoje as cruzes marcam o lugar onde a vida de uma pessoal especial foi ceifada. É uma homenagem, mas também uma maneira de expressar a dor da família com a perda”, finalizou o padre.
O significado das cruzes na beira da estrada se tornou tema do documentário Uma Cruz, uma História e uma Estrada, do pernambucano Wilson Freire. No filme, ele registra histórias de vida e morte a partir de vítimas de acidentes das rodovias que cruzam a Zona da Mata, o Agreste e os sertões de Pernambuco. Para fazer o filme, ele e a equipe rodaram mais de 1.500 quilômetros.
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