Legal?


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Ao menos no Senado Federal acaba de ser aprovada lei que autoriza médicos a interromperem o tratamento de doentes terminais, desde que autorizados por ele próprio ou por familiares. A proposta tem por objetivo minimizar o sofrimento do paciente, permitindo-lhe desencarnar em casa, amparado pelo carinho dos familiares, sem longas e custosas internações nas UTIs.

Olhada sob este ângulo, a medida parece acertada e até humanitária. No entanto, é preciso que se questionem alguns aspectos da iniciativa. Em primeiro lugar, não será ela uma cortina de fumaça tentando esconder o propósito de se criar vagas nos hospitais que se encontram saturados? Em segundo, tal medida não teria o sentido de economizar em favor dos planos de saúde? O mesmo tratamento será dispensado a ricos e pobres, já que doente e familiares podem ser induzidos a decidirem por força do sentimento afetivo, considerando a informação de que do ponto de vista médico nada mais resta a fazer que não manter o doente sofrendo? O Dr. Novelino, inesquecível pioneiro do Espiritismo em Franca e idealista da educação, valia-se de sábia expressão: ‘sedare dolorem divinus opus est’. Numa tradução tosca: ‘aliviar a dor é obra divina.’

Portanto, até que venham melhores esclarecimentos, o médico deveria, para cumprir a sua missão divina, tudo fazer para manter a vida do paciente. Até porque, quem sabe qual será o exato momento do desenlace? Tem-se visto tantos exemplos de pessoas julgadas sem chances e que voltaram à vida normal. Contrariando tal asserção, poder-se-á dizer: mas isso é a exceção e não a regra. Contudo, um só caso justificaria todas as tentativas na manutenção da vida.

Há um outro ângulo a ser considerado, do ponto de vista espiritual. Os momentos finais da existência – que só o Criador sabe quando terminará – são de suma importância para o espírito. É o momento adequado para que o Ser faça uma avaliação da experiência que está chegando ao fim. É a hora da aferição dos valores. Nesses momentos, só, com a sua consciência, o espírito livre das peias materiais, poderá sopesar os atos, reconhecendo erros – e se arrependendo deles – perdoando ofensas recebidas e se propondo a novas empreitadas. Considere-se, ainda, que pode ter sido o próprio enfermo quem solicitou à Providência Divina a situação porque passa a fim de se ressarcir de antigos débitos.

Ante a vida física que se esvai, nessas horas o indivíduo está mais disposto a admitir a realidade espiritual (muitos, inclusive, veem parentes que partiram antes) e se prepara para a nova vida que vai retomar.

Entende a Doutrina Espírita que a vida é uma oportunidade valiosíssima, concedida por Deus para o nosso avanço espiritual. Todos os percalços, todas as dificuldades são originados das nossas deficiências morais/espirituais, portanto, não é eliminando a vida que ajudamos o processo evolutivo, mas mantendo a vida tanto quanto possível!

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (IDEFRAN) 

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