O fim da PM


| Tempo de leitura: 2 min

Idéia da ONU de acabar com a Polícia Militar do Brasil foi recusada pelo país, para o qual tal atitude ainda é inviável

Conforme noticiado pelo Comércio na quarta-feira, 19/09, em seu caderno Brasil, a ONU (Organização das Nações Unidas) entregou ao Brasil um documento contendo 170 sugestões de vários países europeus para melhorar a política de direitos humanos no país.

Essa lista foi elaborada durante uma reunião ocorrida em Genebra, em maio último. Preocupados com a violência utilizada pela Polícia Militar brasileira, esses países condenaram o número de mortos em operações realizadas por essa corporação e disseram acreditar na existência dos famosos esquadrões da morte, uma espécie de esquadra militar armada que atua na ilegalidade, executando e desaparecendo com pessoas em prol de interesses particulares.

Dentre essas sugestões, uma chamou a imediatamente a atenção de todos e foi prontamente negada pelo Brasil. Advinda diretamente dos representantes dinamarqueses, ela mostra claramente que vivemos em mundos bastante diferentes e que o Brasil tem ainda um longo caminho para chegar ao desenvolvimento social do chamado primeiro mundo, a despeito do significativo crescimento econômico experimentado nas últimas décadas.

Para um país como a Dinamarca, talvez não haja nada mais natural do que uma polícia desmilitarizada. Pequeno territorialmente, com uma economia mais solidificada, uma formação social mais coesa e igualitária e com uma população mais escolarizada e consciente de seus deveres enquanto cidadãos não é de se estranhar que sua corporação policial tenha características completamente diferentes daquelas que encontramos por aqui, que apesar de não serem realmente as melhores, são as possíveis e, também, necessárias, em função da estrutura social que vivenciamos, das desigualdades econômicas, da imensidão territorial e da falta de uma consciência política e cidadã mais disseminada em nossa população.

Apesar de todos esses problemas levantados pelos europeus, que obviamente não podemos negar nem varrer para debaixo do tapete, nossa polícia ‘veste’ exatamente o ‘número das roupas e dos sapatos’ de nossos problemas. Desmilitarizar nossa polícia nos dias de hoje seria como entregar o ouro aos bandidos, algo que mesmo com o trabalho da Polícia Militar eles já estão começando a alcançar com mais ousadia e tranquilidade.

Obviamente, é importante que o país melhore suas medidas de controle sobre os delitos que possam ser cometidos por soldados da corporação, prevenindo-os e punindo-os cada vez mais com inteligência e rigor. Se olharmos para a história da humanidade com mais atenção, vamos perceber que os direitos humanos são importantes para o fortalecimento de todo o regime democrático, a despeito da revolta que possam causar em alguns temperamentos mais irascíveis, que não concordam que eles devam ser aplicados a bandidos.

Mas acabar com a PM, nesse momento, seria completamente inviável, além de perigoso para a ordem social e provavelmente infrutífero para o fortalecimento dos direitos humanos no país.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários