Três internos do Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec” fugiram da unidade no início desta semana. Dependentes químicos, os pacientes recebiam tratamento para o vício e deixaram a instituição por não aceitarem a internação. Apesar de parecer esporádico, esse tipo de situação não é novidade no hospital. De agosto à primeira quinzena de setembro foram 11 fugas - todas de pacientes com dependência química.
De acordo com o presidente da unidade, Wanderlei Cintra, receber esse tipo de paciente cria uma situação constrangedora no hospital. “Esses pacientes geralmente não aceitam a internação. Quando são medicados ficam tranquilos, mas logo em seguida querem sair (do hospital). Aí cria essa situação complicada para nós, porque lá é um hospital, não é um presídio”, afirma.
Um dos três pacientes que fugiram do hospital durante a semana, inclusive, já está internado novamente. “Ele foi para a casa dele, agrediu os pais, a polícia foi até lá e o trouxe de volta, de camburão, acompanhado de três policiais e algemado. É o típico paciente que vai criar problemas para nós”, diz Cintra.
O presidente acredita que não é saudável misturar pacientes com problemas mentais e psiquiátricos com dependentes químicos. “Boa parte dos usuários de álcool e drogas já têm outros problemas de saúde mental em decorrência do uso da droga. É totalmente diferente daquele paciente tradicional que estamos acostumados a receber.”
Cintra se apoia ainda no Ministério da Saúde, que determina que pacientes com necessidade de tratamento decorrente do uso de álcool e outras drogas sejam encaminhados para hospitais gerais com esse tipo de serviço implantado. “Hospital geral aqui é a Santa Casa, que também não tem estrutura para isso (internação de dependentes químicos). O encaminhamento de pacientes ao ‘Allan Kardec’ é feito pela Prefeitura, através da Secretaria de Saúde. Eles não têm outra opção. A situação fica cada vez mais complicada, e não vai se resolver enquanto esses pacientes não forem tratados de uma maneira diferenciada. A criação de uma área específica para o tratamento de dependentes químicos é extremamente necessária”, afirma.
O espaço destinado a dependentes químicos é tema de uma ação civil pública movida pela Promotoria da Infância e Juventude no município. Após enfrentar problemas judiciais para a internação compulsória de adolescentes no “Allan Kardec”, que afirma não ter estrutura física nem profissional para pacientes menores de idade, o promotor Augusto Soares de Arruda Neto cobra do Estado e do município a criação de 20 leitos destinados a esse público. “A solução seria a construção dos 20 leitos. Fui consultado pelo promotor e já disse que área para isso nós temos. Desde que alguém construa e pague a conta. O hospital não tem como fazer isso sozinho”, explica Cintra.
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