Atire a primeira pedra...


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Quem foi o responsável por tal atrocidade, por tal barbárie, que sem que nos déssemos conta, adentrou em nossa casa e passou a ser o assunto principal?

Quem foi ou quem foram?

Necessário se faz que aja um culpado. Alguém em que possamos descarregar tudo que sentimos, tudo que imaginamos possa ter acontecido... Mesmo que não passe de uma suposição, de diz que nos disse alguém e acreditamos. “Quem conta um conto aumenta um ponto”... Não é assim que dizem?

Acreditamos no que queremos acreditar tenha acontecido. Deixamos-nos influenciar, como se certo fosse, deixando ao outro o poder de decidir nossas decisões.

Deixamos-nos levar pela fúria da multidão que clama por justiça, num pré-julgamento ensandecido, enquanto devíamos nos deixar levar pelo ouvir silencioso de quem pretende não lançar a primeira pedra.

A pressa nos torna algozes... Manda-nos apontar o dedo em riste, como se juízes fôssemos, como se em nós estivesse a certeza da verdade absoluta. E nem sequer percebemos, que ao apontar um dedo para o outro, quatro deles apontam em nossa direção.

Somos atropelados por nós mesmos na busca da verdade que queremos seja a nossa. E que é a certa... A verdadeira... A inquestionável... Movidos pela certeza incerta de algo que não presenciamos, de algo que não vimos e que julgar queremos. Damos asas à nossa imaginação... Enveredamos por caminhos que sequer conhecemos... Por caminhos que nos permitem imaginar possamos ter a plena convicção, de que nossas suposições, transformaram-se na certeza de que nem de longe fomos nós que assim agimos... Pois foi você ou foram vocês... A voz do povo ecoa... Vai longe... Por ela e com ela, enxovalhamos,destruímos, massacramos... Destacamos-nos no meio da multidão, quando nos tornamos inquisidores direcionados, olhando todos na mesma direção. A que nos parece ser a certa. E lá vamos nós... Arvorando-nos da importância de julgar. Nós, que somos tão mais que o outro e que por isso nos damos o direito de mostrar o porquê de aqui estarmos... Até que chegue a hora de trocar de lugar, de deixar de inquerir, para nos tornarmos a outra face da moeda, em qualquer situação adversa que a nós se apresente, para daí então, implorar que nos julguem com clemência e que deixem que a verdade apareça.

“[...] nem se deve pensar que uma coisa é verdadeira por ser dita com eloquência.” Santo Agostinho.
 

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