Idosa aguarda leito em maca na recepção da Santa Casa


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 Maria Luiza Silva, de 80 anos, ficou em maca por 17 horas. Leitos estavam todos ocupados
Maria Luiza Silva, de 80 anos, ficou em maca por 17 horas. Leitos estavam todos ocupados

A doméstica aposentada Maria Luiza da Silva, 80, moradora na Chácara Morada do Sol, teve de esperar cerca de 9 horas deitada em uma maca, na recepção da ortopedia da Santa Casa, em busca de um leito para que pudesse fazer uma cirurgia no fêmur. Segundo familiares, a idosa foi medicada, alimentada e observada pelos enfermeiros em meio às cadeiras e à movimentação de pessoas que entravam e saíam do hospital. Indignados com a situação, os filhos da aposentada chegaram a procurar a polícia. Segundo a direção da Santa Casa, os 306 leitos do hospital estavam ocupados e a situação foi “atípica”.

Maria Luiza sofreu uma queda acidental em sua casa, onde mora sozinha, e teve uma lesão na perna. Um amigo da família socorreu a idosa até o pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, onde foi diagnosticada a fratura no fêmur. Ela foi transferida para a Santa Casa por volta das 21 horas de quarta-feira. Iniciou-se um drama na família. “Ela está deitada na maca, no atendimento da ortopedia. Foi feita a alimentação dela ali, no meio do povo. Fizeram minha mãe fazer as necessidades no banheiro masculino. É um descaso total”, contou, por volta das 13h40 de ontem, o pintor Luiz Antônio de Oliveira, 50, morador no Parque Leporace e filho da aposentada.

Ainda segundo o pintor, uma vaga foi prometida por funcionários da Santa Casa na manhã de ontem. “A ordem que vem de cima é de que estão desocupando um leito. Disseram que desde as 10 horas estão limpando (o quarto).” A sapateira Geraldina Maria de Oliveira, 58, moradora na Vila São Sebastião e irmã de Luiz Antônio, também ajudou a pressionar o hospital pelo atendimento. “(Estou) sem jantar, sem tomar banho, sem dormir de jeito nenhum. Não almocei até agora, não sei que hora é. Estou no meu limite, exausta, sem condições de ficar aqui. Como vou embora para descansar e deixar ela aqui, na situação que está? No setor de ortopedia, na portaria, na rua quase. É difícil”, revoltou-se a filha.

Um boletim de ocorrência de preservação de direito foi registrado no 1º Distrito Policial. Por volta das 14h20, quando a reportagem do Comércio estava em frente ao hospital conversando com os familiares, Maria Luiza foi levada da recepção. Vinte e cinco minutos depois, foi confirmada a internação da aposentada em um leito adequado.

OUTRO CASO
A dona de casa Varlei Eurípedes Carlos, 56, moradora no Parque Progresso, teve que fazer uma cirurgia com urgência na quarta-feira. Depois de ser atendida no centro cirúrgico ao meio-dia, a mulher foi encaminhada para a sala de recuperação e ali ficou por mais de 24 horas.

Segundo a funcionária pública Renata Pessoni Borges, 35, moradora no Jardim Paraty e filha de Varlei, a dona de casa ficou sem receber visitas e sem tomar banho. “Eles ficam pedindo mais meia hora, meia hora, e não conseguem um quarto para ela. Ela é diabética. Está sendo medicada lá, mas não tem como tomar banho, não tem acompanhante, a família não pode visitar até agora. Ficamos todos ansiosos e desesperados para saber notícias diretamente dela, não dos funcionários.”

A reportagem conversou com Renata por volta das 14h50. Dez minutos depois da entrevista, a paciente foi transferida a um quarto.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, as vagas estavam liberadas desde o meio-dia, mas era esperada a saída dos pacientes em alta.
 

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