Situação preocupante


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Pequenas cidades, antes redutos de tranquilidade, se veem às voltas com crimes ousados e de alto grau de violência

se até bem pouco tempo o interior era sinônimo de tranquilidade para aqueles que vivenciam os problemas mais graves das grandes cidades, é melhor que essas pessoas comecem a rever seus conceitos. A julgar pelo que vem acontecendo em Franca e região, aqueles ares mais tranquilos de interior parecem estar se dissipando rapidamente.

As janelas já não olham devagar, como poetizava o mineiro Drummond. Agora estão fechadas, cheias de medo e insegurança. Como entender que uma cidade como Cássia, com seus quase 20 mil habitantes, poderia ser palco de uma ação tão ousada de bandidos que parecem já não temer mais nada, nem a polícia, a prisão ou a morte. Em plena luz do dia, logo pela manhã, quatro homens armados e encapuzados cercaram um automóvel e dele retiraram uma menina de 14 anos que estava tranquilamente indo para a escola.

Para desespero da mãe que se propôs como refém em troca da filha e para espanto de todos os moradores que presenciaram a ação e que só tinham visto tal cena por meio das telas mais distantes de suas televisões, os marginais levaram a menina e deixaram um pedido de resgate de R$ 1 milhão para a família, que tem no avô da sequestrada um dos mais tradicionais fazendeiros da região.

A sensação que sobra para toda a região é obviamente de medo e total insegurança. Se esse episódio aconteceu em Cássia, pode facilmente se repetir em Patrocínio, em Franca, em Cristais ou em qualquer outra cidade da região, todas elas repletas de empresários.

Diante disso tudo, já está mais do que na hora de reagirmos. Mas essa reação não pode vir apenas na forma de protestos e cobranças em relação ao trabalho de nossas polícias ou à reforma do Código Penal. Se considerarmos que a maioria desses delitos é cometida por jovens e até mesmo por adolescentes, como temos visto repetidas vezes nos noticiários policiais, seria importante também cobrarmos ações que pudessem funcionar de forma preventiva.

Como diziam os gregos, é melhor educar as crianças do que punir os adultos. Nesse sentido, talvez fosse imprescindível investir maciçamente em esporte e educação, valorizando o trabalho desses profissionais e ajudando-os a impor uma maior rigidez em termos de disciplina, algo que parece ter se perdido no passado. Além disso, seria importante lutar pela flexibilização do trabalho de jovens com até 16 anoss, desde que não atrapalhe seu desempenho e sua frequência na escolar. Tirar garotos das ruas e colocá-los na experiência do trabalho talvez ajudasse a minimizar um pouco essa produção insana de jovens delinquentes que parece ter se tornado uma especialidade de nossa sociedade.
 

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