Definir uma prioridade de governo não é tarefa fácil. Mas seis dos sete candidatos na disputa pelo posto de prefeito de Franca falaram sobre o que consideram suas bandeiras. E a saúde é apontada por quatro “prefeitáveis” como o setor mais crítico da atual administração e que deve ser a meta deles.
As mais de 12 mil pessoas que aguardam para realizar uma cirurgia eletiva e o investimento na melhora do sistema de saúde são os alvos dos candidatos Graciela Ambrósio (PP), Marco Ubiali (PSB), Gilson Pelizaro (PT) e Hamilton Chiarelo (PSol).
Eles apontam para os recursos oferecidos pelo Ministério da Saúde como a saída para acabar com a fila e apostam que o Governo Federal tenha as verbas necessárias para investimentos na área.
“Por onde quer que você ande, esta é a principal reclamação da população”, disse Graciela. O pensamento é compartilhado por Pelizaro e Ubiali, que garantiram ter apoio para implantarem seus programas de saúde.
O candidato Marcelo Bomba (PTC) preferiu eleger o fim da corrupção como sua bandeira e Cassiano Pimentel (PV), a educação. Apenas Alexandre Ferreira (PSDB) não falou sobre o tema. Ele preferiu que um dos coordenadores de sua campanha, Marcelo Facuri, falasse em seu nome, e este afirmou que o candidato “não tem nenhuma prioridade”.
As bandeiras
Alexandre Ferreira -PSBD
O candidato Alexandre Ferreira (PSDB), que se afastou das secretarias de Saúde e Desenvolvimento de Franca para disputar as eleições municipais deste ano, foi o único procurado pessoalmente e se recusou a falar com a reportagem. Ele pediu para assessores tratarem do assunto. Marcelo Facuri, um dos coordenadores da campanha tucana, foi localizado, via telefone, e ele alegou que estava editando material para o programa do horário eleitoral gratuito. Facuri adiantou que Alexandre “não tem nenhuma prioridade”, caso venha a assumir a Prefeitura em janeiro do próximo ano. “Candidato que fala em prio-ridade, não conhece a complexidade de uma Prefeitura como a de Franca”, se limitou a informar o porta-voz. Facuri se recusou a citar, sequer, uma área que poderia ser a bandeira de Alexandre.
Cassiano Pimentel - PV
Investir na educação é o objetivo principal do candidato do PV, Cassiano Pimentel. Ele crê que esta é a área que pode fazer a diferença ao final de um mandato de quatro anos. “A educação é o instrumento que nós temos para transformar a sociedade, inclusive melhorando a saúde, porque com a educação conseguimos levar a prevenção para todos e evitamos que as pessoas fiquem doentes e desamparadas. A educação é o grande instrumento de uma sociedade melhor”, acredita o candidato. Ele pretende por em prática suas metas valorizando o professor, criando as escolas de período integral e levando à comunidade a importância da escola. “Temos recursos federais para ampliar escolas e, para garantir o pagamento de novos professores e funcionários, é necessário reforçar o orçamento”, disse Pimentel.
Gilson Pelizaro -PT
Acabar com a fila das cirurgias eletivas é a meta inicial do candidato Gilson Pelizaro (PT), caso assuma a Prefeitura em janeiro. Segundo ele, há recursos no Ministério da Saúde disponíveis para Franca e que não foram liberados devido à falta de projetos por parte da atual administração. Junto com o dinheiro para esse procedimento, o candidato petista também pretende dar início ao processo de construção das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) no Jardim Brasilândia, Jardim Luiza e Bonsucesso. “Temos um compromisso firmado com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para li-beração imediata dos recursos para as cirurgias e a construção das UPAs. O ministério ainda vai pagar parte dos salários dos médicos e a Prefeitura complementa para garantir salários maiores aos profissionais da área.”
Graciela Ambrósio - PP
Saúde é a principal bandeira de Graciela Ambrósio (PP). Segundo ela, sua primeira medida será dialogar com a Santa Casa. “Ela (Santa Casa) não pode trabalhar isolada do Poder Público.” Para a candidata, esta conversa tem como objetivo encontrar soluções para acabar com as filas eletivas. Ela acredita que a revisão dos salários dos médicos pode “arrumar” o pronto-socorro. Interligar os pontos de atendimento para acabar com as filas de espera por serviços especializados, revitalizar o PSF (Programa Saúde da Família) e instalar novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) são as outras metas. “É só direcionar corretamente para onde deve ir os recursos e ter vontade política para organizar o atendimento à população. Se tem dinheiro para comprar prédio velho e cons-truir viaduto, tem dinheiro para melhorar a saúde”, acredita Graciela.
Hamilton Chiarelo - PSol
Focar na saúde é a meta de Chiarelo. “Não dá mais para ver as pessoas sofrendo em filas de espera”, disse o candidato, que pretende contratar mais hospitais para zerar a fila das cirurgias eletivas. Ele pretende mapear todas as áreas da saúde por entender que está “tudo errado”. Investir na saúde preventiva, através do PSF (Programa de Saúde da Família), agilizar as marcações de consultas, contratar profissionais, realinhar os salários dos médicos, abrir quatro UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e instalar mais UBSs (Unidades Básicas de Saúde) para dar suporte ao PSF são suas metas para o setor. Ele pretende buscar recursos junto ao governo federal para as construções e cirurgias eletivas, e crê que com o fim dos cargos de confiança, sobrará dinheiro para pagamento de novos médicos.
Marcelo Bomba - PTC
“A prioridade do nosso governo será acabar com os esquemas e os favorecimentos dentro da Prefeitura.” As palavras são do candidato a prefeito pelo PTC, Marcelo Bomba, ex-aliado do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Ele disse que a bandeira do seu partido é combater a corrupção dentro do Poder Executivo. “É por isso que estamos candidatos. Nós não suportamos mais os esquemas com recapeamento, empresa de ônibus, merenda escolar e tantas outras coisas que precisam ser combatidas na cidade”, disse Bomba. Se eleito, o candidato adiantou que sua primeira medida será convocar o departamento jurídico para rever todos os contratos e concessões. “Faremos uma auditoria completa em toda a Prefeitura.”
Marco Aurélio Ubiali - PSB
A contratação de médicos e o fim da fila das cirurgias eletivas são as prioridades de Ubiali. Para convencer médicos a trabalharem no município, o candidato pretende criar uma fundação. Segundo ele, o atual salário não atrai os profissionais da área. “Os médicos vão ser contratados por concurso, através desta fundação. Já conversamos com a classe e, diante da nossa proposta, eles topam trabalhar.” A medida, segundo ele, não onera a folha de pagamento porque a fundação é uma instituição que tem administração própria, como já ocorre com a Faculdade de Direito e o Uni-Facef. O dinheiro para garantir as cirurgias e a fundação, segundo o candidato, virá de recursos já disponíveis pelo governo federal e através da economia com a troca do sistema de iluminação da cidade por lâmpadas de led.
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