Hamilton Donizete Chiarelo, candidato a prefeito pelo PSol (Partido Socialismo e Liberdade), nasceu na zona rural de Pedregulho, tem 53 anos, é casado e pai de três filhos. Aos 20 anos mudou-se para Franca e trabalhou como sapateiro por 18 anos. Trabalhou em empresas próprias e há dois anos atua como taxista. Enquanto sapateiro, Chiarelo foi vice-presidente do Sindicato da Padre Anchieta, por 5 anos, e foi presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) da região de Franca. Em 1986 filiou-se ao PT (Partido dos Trabalhadores) e candidatou-se a vereador em 2004. Deixou o partido um ano depois. Filiou-se ao PSoL (Partido Socialismo e Liberdade) há seis anos e foi candidato a vereador em 2008. Nunca foi eleito. Confira abaixo os principais trechos da sabatina realizada na última terça-feira. Clique aqui para assistir ao vídeo.
Comércio da Franca- Por que o senhor quer ser prefeito da cidade?
Hamilton Chiarelo - Primeiro, porque me sinto preparado. Temos um projeto de governo diferente do que tem na cidade. Segundo porque estou há 35 anos na cidade, já é a nona eleição que acompanhamos e entra prefeito, sai prefeito e a política é a mesma, não tem uma política voltada pras pessoas. Muito mais voltada pra obras ou pra um grupo que domina a cidade. E também porque nós estamos bastante indignados, e só indignação não basta. É preciso que bote a cara a tapa, e resolvemos botar a cara à tapa. Estou me colocando à disposição dos eleitores de Franca pra mostrar o que propomos diferente.
Comércio - A saúde pública é uma das áreas mais problemáticas da cidade. Como o senhor pretende resolver essa situação?
Chiarelo - Queremos resgatar os cinco núcleos do programa Saúde da Família e implantar mais trinta núcleos. Queremos fazer mais doze UBS. Queremos fazer com que a saúde pública seja uma coisa de excelência. Os profissionais não querem mais trabalhar na saúde pública porque são mal remunerados, não têm um ambiente saudável de trabalho. Queremos transformar o Janjão num hospital público. Não dá pra ficar refém da Santa Casa.
Comércio - A prefeitura fez entre 15 e 18 concursos sem conseguir contratar médicos. Como é que o senhor vai reverter esse quadro?
Chiarelo - Os médicos hoje têm um salário base que não é respeitado. A proposta da Prefeitura é metade desse salário, e entendemos que o profissional, pra trabalhar feliz e oferecer um atendimento de qualidade, precisa ser bem remunerado e ter condições de trabalho.
Comércio - O prefeito Sidnei Rocha abriu mão da gestão plena e devolveu a responsabilidade para o Estado, que hoje resolve quem é atendido ou não na Santa Casa. O senhor retoma a gestão plena ou deixa como está?
Chiarelo - Quem tem que cuidar da saúde do município, cuidar das pessoas é a prefeitura. Por isso a gestão plena tem que estar na prefeitura. Mas vamos construir um hospital público pra não ficar na dependência da Santa Casa. A estrutura já está praticamente pronta, dá pra adequar e fazer junto no novo Pronto-socorro.
Comércio - Um dos poucos conceitos sobre os quais petistas e tucanos concordam, ao menos os que administraram a cidade nos últimos 16 anos, é que a arrecadação do município é baixa. O senhor pensa em aumentar impostos como o IPTU? Projeta instituir outras taxas?
Chiarelo - Jamais. O povo já paga impostos demais. Vamos trabalhar com o orçamento que tem. É claro que é baixo pelo porte da cidade, mas temos que buscar outras alternativas e não fazer com que o povo sofra mais do que já sofre.
Comércio - Mas aí não fica uma promessa vazia? De onde viria o dinheiro pra fazer o que o candidato propõe?
Chiarelo - Primeiro que a maioria dos programas sociais tem verbas federais. Programa Saúde da Família tem, construção de hospitais tem, então vamos buscar esse dinheiro. Basta ter coragem, ter projeto, seriedade e gestão. Os governos anteriores tinham prioridade por construir obras. Nós temos a prioridade de ajudar as pessoas, e é isso que vamos fazer.
Comércio - O consumo de drogas hoje é uma epidemia em Franca. Chama atenção o envolvimento de moradores de rua com drogas. O que faria para resolver essa questão?
Chiarelo - Primeiro que o morador de rua está sendo tratado como um marginal. Achamos que está errado. Temos um projeto de resgatá-lo. Temos que construir os CAPs. Temos um único CAPs e ele não tem estrutura suficiente pra atender a demanda. Estamos propondo a educação, a escola em período integral; e lá, desde o prezinho, vamos trabalhar a questão da prevenção, essa questão das drogas.
Comércio - E se o morador de rua não quiser ser resgatado, fica onde está?
Chiarelo - Vamos trabalhar com o médico de rua e com o convencimento com esse morador, a importância dele se recuperar. Agora, na última instância, a gente pode fazer uma internação (compulsória) dele. Mas a gente não defende isso.
Comércio - Franca tem um problema crônico de falta de vagas nas creches. Como o senhor pretende resolver isso?
Chiarelo - É um projeto que tem verba federal. A gente tem que tirar, como um outro candidato disse, a bunda da cadeira e buscar verba federal pra construir creches. Se vamos fazer um governo voltado pras pessoas, pro social, temos que construir essas creches, independente do que vai afetar no orçamento.
Comércio - Quais são suas propostas pra resolver os problemas do trânsito?
Chiarelo - É o terceiro maior problema na nossa análise. O primeiro é saúde, o segundo é segurança e o terceiro é o transporte. Vamos rever a concessão com a São José, vamos abrir pra uma empresa de micro-ônibus e vans. E vamos criar um fundo com médio prazo. A gente imagina o domínio total do transporte coletivo na cidade, ou seja, uma gestão municipal.
Comércio - Como isso seria possível?
Chiarelo - Vamos criar um fundo municipal para o transporte, porque não podemos mais continuar na tutela de uma única empresa de transporte. Percebemos que essa empresa - que é um monopólio na cidade - faz um jogo onde prevalece a vontade dela e ela determina o preço da tarifa, que é a mais cara do Estado. Não dá pra entender como é que a Empresa São José, aqui na cidade, tem esse poder todo.
Comércio - Quando sindicalista, o senhor participou de greves em variadas empresas. Chegou a ser preso por isso. Pretende usar esse mesmo “ânimo” no restante da campanha para convencer os trabalhadores a votarem no senhor?
Chiarelo - Jamais, jamais. Minha luta é pra fazer justiça e defender o povo dessa cidade, que não aguenta mais tantos desmandos. Antes a gente ouvia falar em corrupção em Brasília, hoje estamos com esse problema aqui. Temos uma Câmara inoperante, horrorosa, o povo tem que passar aquilo a limpo. Vamos passar a prefeitura a limpo. No dia seguinte da minha gestão, com uma canetada, vou derrubar todos aqueles parasitas que ficam chupando dinheiro público. Todos os indicados pelo prefeito (serão demitidos).
Comércio - O senhor pretende extinguir os cargos comissionados ou substituí-los por outras pessoas?
Chiarelo -Vamos extinguir todos os cargos indicados pelo prefeito. Talvez fique uma meia dúzia de assessores de algumas áreas, como projetos, Secretaria de Governo, alguns que não tem muito jeito.
Comércio - Quem comandaria a Secretaria da Saúde, por exemplo?
Chiarelo - Vamos ter que eleger o Secretário de Saúde lá no setor de saúde, com os médicos, com os profissionais.
Comércio - E se o eleito acreditar que a gestão plena não é o caminho e que o hospital público é uma bobagem, como é que o senhor faz?
Chiarelo - Vamos convencê-lo que é viável e o povo e os profissionais vão mostrar pra ele que é viável. E vamos construir esses coordenadores dentro desse programa.
Comércio - Mas como é que o senhor faria pra governar numa cidade com um secretário com um pensamento radicalmente diferente do seu?
Chiarelo - Talvez ele vá ter problema comigo muito pequeno, mas ele vai ter com as pessoas que o elegeram.
Comércio - O senhor proporia um ‘impeachment’ do secretário eleito?
Chiarelo - Não, as pessoas vão propor o impeachment dele. A hora que ele começar a trabalhar na mesma lógica que está sendo trabalhado hoje, as pessoas vão pedir o impeachment e eu vou fazer o impeachment.
Comércio - Onde funciona um sistema parecido com esse?
Chiarelo - Não sei. Não estamos copiando ninguém, queremos fazer isso aqui.
Comércio - Tomando posse, a primeira medida é uma reforma administrativa? O senhor dá uma canetada, põe todo mundo na rua e propõe eleição direta pra definir os ocupantes dos cargos estratégicos?
Chiarelo - É, alguns muito estratégicos vamos discutir. Esses cargos que vão ser só de comando, vamos fazer com que sejam eleitos nas suas respectivas áreas. Isso vai ser a nossa segunda medida, porque a primeira é cuidar das cirurgias eletivas. Não aguento mais andar nos bairros e ver as pessoas sofrendo com uma bolsa do lado, com uma hérnia caindo pelas canelas e uma série de outras situações.
Comércio - Pergunta do conselheiro do jornal, Ronaldo Pereira. Em rápidas palavras, defina cada um dos seus adversários.
Chiarelo - Marcelo Bomba esteve aliado ao governo do Sidnei até há pouco tempo e agora sai dando tiro pra todos os lados. Acho que é um moço que ainda não está preparado. O Cassiano Pimentel esteve no governo anterior, participou de todas aquelas situações e nunca abriu a boca, nem dentro do partido. O Ubiali, que diz que ama os cachorrinhos, fez uma lei pra divisão de casais que separa os animais... Viu pessoas morrendo na fila das cirurgias eletivas e ele estava passeando no exterior com a família. O hospital dele não fez nenhuma, nenhuma (cirurgia eletiva) pra salvar uma vida, então agora vir pros bairros e dizer que ama as pessoas... A Graciela, o grande projeto dela foi votar contra o “Minha Casa Minha Vida”. Faz mais de 12 anos que não se constrói uma casa popular de verdade pela Prohab; ela votou contra. E o outro governo, o do Alexandre, está aí pra todo mundo saber, então é uma continuidade, não vai mudar nada. O povo vai ter que julgar, quer que continue desse jeito? Vota no Alexandre. Faltou algum?
Comércio - Gilson Pelizaro.
Chiarelo - O Gilson Pelizaro precisa primeiro devolver o dinheiro que ele está devendo para a Câmara; segundo, precisa rever o que o partido dele está fazendo no município, que não é só ele não, tem mais gente, e está fazendo lá em Brasília, lá no mensalão.
Raio-x
Nome: Hamilton Chiarelo
Idade: 53 anos
Estado civil: casado
Filhos: Kairo, Willian e Lincoln
Nasceu em: Pedregulho
Profissão: Taxista
Cargos que ocupou: vice-presidente do Sindicato da Padre Anchieta e presidente da CUT da região de Franca
Religião: católica
Esporte: futebol
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