A meninada está muito doida, sem saber o que fazer com tanta liberdade
Baba pelas esquinas depois do álcool e das drogas, faz sexo como animal no cio, enfurece contra quem tenta lhe botar um norte na vida, e morre de tesão por essa vida degradante. Sobretudo, demonstra ter perdido a ética. Um garotão de 17 anos gritou no Facebook, esta semana, que a ‘vida de crime é foda mas é bom ser traficante’. Certamente estava maravilhado com o dinheiro fácil que lhe caia à mão. A polícia chegou rápido e ele, não tivesse sido impedido, teria engolido quatro pedras de crack que estavam com ele quando foi surpreendido. Em sua rede de relacionamento, chegou a publicar, inclusive, fotos de sua ‘biqueira’, assim conhecido o local onde viciados se abastecem.
O de fazer pasmar é que o ‘mundo legal’ e sem barreiras que esse traficante criou para si, existe, e prospera em muitos lugares por ai. Seu erro foi perder a noção do perigo. Não tivesse errado, talvez continuasse fazendo seus ‘bons negócios’. Foi detido, e em flagrante. Aliás, vou reescrever: foi em flagrante, mas, detido, pode ser por pouco tempo. Voltará logo, mais escolado. E não errará de novo. O que me permite acreditar nisso?
Simples. O que torna os filhos da impunidade fortes e crentes é a certeza de saberem-se, uma, duas, infinitas vezes, impunes. Sabem que os agentes de segurança ou da justiçam não podem com eles. As leis, essas que criam lá no Planalto Central e nós, com nossos votos sem critério avalizamos, mandam soltar! Não há vagas em presídios para tanta gente, não é?!
Outro menor, também esta semana, falou à rádio Difusora e deu mostras que a coisa está, mesmo, sem freios: “se não for furtando e roubando não vou enriquecer na vida. Trabalhando? Que é isso? A gente não ganha nada. Então, vou continuar na atividade...”. Essa fala, gravada por repórter, aconteceu na rua, frente do posto de polícia, logo após ter sido ele liberado. Houve outro caso – aliás, casos não faltam. Dois menores foram apreendidos em flagrante por porte de armas e entorpecentes. A mãe de um deles foi chamada à delegacia. Ouviu. Não se conteve. Acertou um sopapo no filho antes de ser freada pelos policiais. Não pode, disseram. As leis, sabe? Ele foi para a Fundação Casa. Ela, triste e derrotada, voltou para casa.
São essas coisas que frutificam neste tempo. Há garantias de estradas pavimentadas e sem obstáculos para quem está no crime. Para os bons, resta o desconsolo. O crime compensa! A moderna criação privilegia o diálogo e, neste viés, tenta-se dar a velha educação. Não funciona. Bons pais estão ai, a sofrer, envergonhados e impotentes. Se você fosse chamado a opinar, o que faria, como faria? Conte. Esta coluna está aqui para ser tribuna com poder de ampliar os debates que precisam acontecer. Quem sabe, alguém com poder e saco roxo ouça, não é?
REPERCUSSÕES
Foram incontáveis os comentários sobre “Quem sabe a luz se faça”, texto desta coluna em 1º de setembro. Recebi informações sobre professora da Unifran que levou meu texto para a sala de aula e o afixou na lousa, pedindo a que seus estudantes lessem. Fiquei honrado. Continuarei compondo quadros do cotidiano, leituras da realidade, para estimular pensamentos e tentar multiplicação. O grito de um torcedor isolado, num campo de futebol, pode ser piada, mas o grito que se grita junto, sensibiliza. Agradeço ao advogado João Bittar Filho, que sempre se manifesta; ao Clésio Antônio Dourado, em outros tempos líder de juventude, dono de gestos e palavras ponderadas; ao Delduque Palma, o cavalheiro de sempre; e a José André de Freitas Nascimento, que me provocou, perguntando se ainda acredito que educação nasce dentro do lar, e se pessoas que acreditam nisso podem mobilizar outras para melhorar o que está ai. Sabe, Zé? Você tirou um tempo de sua vida para pensar no caso e escrever em resposta. Teria feito, se não tivesse lido? É assim que começa, meu caro. Bem-vindo ao time.
QUEIMADAS
Percorro quase sempre os mesmos caminhos quando me dirijo ao trabalho. Tenho testemunhado a vida, paixão e morte de áreas verdes históricas, nessas andanças. Duas, pela observação cotidiana, penso que estão sofrendo mais que outras. Uma, é a de mata (hoje, pouca, mas) ainda fechada, que protege algumas nascentes que dão origem ao córrego dos Bagres, na avenida Hélio Palermo. Outra, nas imediações da ‘cidade’ que se constrói na avenida Santa Cruz, onde mais de 6 mil pessoas vão morar nos próximos meses. Em ambas, tem sido fácil flagrar ocorrências de fogo varrendo a vegetação nativa e deixando o terreno nu. Perto dos predinhos da começam na Santa Cruz e vão até a avenida Alonso Y Alonso, seus responsáveis tiveram que replantar árvores, mandados pelo MP, para recomposição do que foi derrubado quando as obras começaram. Quando alguém reclama do fogo continuado, fala-se em ‘fogo criminoso’, e que ‘não há como saber quem faz isso’. As áreas vão ficando ‘facilmente’, livres da vegetação que, fosse derrubada legalmente, geraria ‘transtornos, gastos, amolações’. Não vou me surpreender se loteamentos novos forem lançados logo logo nestas regiões.
INCANSÁVEIS
Viajando no dia 5, não pude abraçar pessoalmente Tiago Bachur e Fabrício Vieira, especialistas em Direito Previdenciário e articulistas deste Comércio, pelo lançamento de Cálculos Previdenciários e Soluções Práticas e Auxílio-Acidente Previdenciário e Acidentário, obras que preenchem lacuna na literatura jurídica e garantem, por suas pedagogias, uso intensivo em faculdade de direito. Foi o quinto livro de Tiago e o primeiro de Fabrício, ambos pela Editora Lemos & Cruz. Aconteceu na sede da OAB de Franca. A renda foi doada ao Berçário Dona Nina. Tiago e Fabrício são conferencistas, professores e dividem sociedade em vitoriosa banca de advocacia no centro da cidade.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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