Quem não se lembra do ex-presidente Lula sujando as mãos de petróleo? Quem não se lembra da anunciada independência? E o pré-sal que ficou anos povoando os meios de comunicação como a salvação do Brasil-potência?
Foi tudo uma intrincada história da carochinha, petas de fazer inveja aos contos de fadas. Dez anos de PT e nada do paraíso prometido. E o álcool vai cada dia pior. E a culpa parece residir também na Petrobrás. A produção de cana deste primeiro semestre foi 3,9% menor que a do ano anterior. Acompanhando a queda agrícola em geral e a pecuária.
O tempo e o preço da gasolina atuaram no caso do álcool, além da redução da área plantada. A produção de álcool diminuiu 28,5%. Mas houve aumento de importação de gasolina.
Acrescente-se aqui a insuficiência do refino, graças ao atraso da construção das refinarias e a escalada dos custos das obras. Aliás, outro erro do governo foi associar-se à PDVSA na Refinaria Abreu e Lima. Outro é manter a associação, já que o Hugo Chávez não cumpriu o acordo.
Estima-se em R$ 130 bilhões o investimento necessário para se voltar a produzir etanol numa proporção de 50% na matriz de combustíveis. Ou seja, cem novas usinas de álcool. Para se ter uma ideia, em 2010, o etanol representou 44,6% dos combustíveis utilizados, no ano passado caiu para 31,7%.
Se não bastasse tudo isso, os otimistas do governo previam que a Petrobras teria um lucro de R$ 3,2 bilhões, mas teve um prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhões no segundo trimestre.
No ano passado, teve lucro líquido de R$ 10,943 bilhões do mesmo período. É a primeira vez em treze anos. E esse prejuízo é o terceiro maior na história do Plano Real. E tem mais, a área de abastecimento da Petrobrás teve um prejuízo de R$ 7 bilhões no segundo trimestre, quando no mesmo período do ano passado houve um prejuízo de R$ 2,280 bilhões.
O prejuízo da área de Abastecimento praticamente anulou o lucro líquido de R$ 10,67 bilhões da área de Exploração e Produção (E&P).
O resultado ficou 0,7% superior ao registrado no segundo trimestre do ano passado. Destaque também para o prejuízo de R$ 5,329 bilhões na área Corporativa da Petrobrás. A área de Biocombustível apresentou prejuízo de R$ 113 milhões, ante prejuízo de R$ 37 milhões de 2011. Já a área Internacional registrou queda de 93% no lucro.
Como toda desgraça é pouca, o segundo trimestre ainda nos reserva outra notícia triste, a produção da Petrobrás caiu.
Isso mesmo, a produção de óleo e gás natural foi de 2.579 milhões de barris diários, apresentando uma retração de 1% na comparado ao mesmo período do ano anterior.
Em relação ao primeiro trimestre deste ano, a retração foi de 4%. Tudo isso já se refletiu nas petroleiras brasileiras, OGX, HRT e Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) perderam valor nos últimos 12 meses.
A nossa “bolha” chama-se pré-sal, criada pela propaganda governamental em 2007 e que estoura agora. E fica a pergunta: até quando nosso povo vai acreditar em fadas-madrinhas e sacis? Cidadania se constroi.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)
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