Queimadas de inverno


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Mais uma vez o francano se depara com os problemas trazidos pelas queimadas, já que elas se repetem ad eternum, intensificando ainda mais o ar ressecado que agride nossos pulmões e a sujeira que invade nossas casas.

A despeito de toda a tecnologia hoje existente, apesar das viagens espaciais, da evolução da medicina, dos tablets, netbooks e todos os aparatos tecnológicos que hoje facilitam nossa existência, algo impensável antigamente, as queimadas continuam firmes, resistindo há séculos e a toda essa evolução.

De acordo com a Polícia Ambiental de Franca, a maioria desses focos de incêndios tem sua origem na agricultura, principalmente na queima da palha da cana-de-açúcar, de pastagens e de restos de cultura, como o noticiado por este Comércio na terça-feira, 04/09. Há também aqueles incêndios criminosos ou inconsequentes, causados por pessoas que ignoram as regras da convivência social e acabam jogando bitucas de cigarro nas beiras de estradas e rodovias.

No primeiro caso, o absurdo se apresenta com ares de ancestralidade. De certa forma, remete à antiga tradição da “coivara”, uma técnica de agricultura à base de queimadas que era muito utilizada pelos índios e pelas comunidades quilombolas.

Mas se nessas épocas mais antigas e rurais de nossa história elas ainda eram mais aceitáveis, já que essas comunidades não sabiam o mal que estavam causando à flora e à fauna brasileira, e até mesmo ao solo, propriamente dito, hoje em dia essa situação deveria ser muito diferente. Dentro de um mundo mais urbano, onde essas plantações e pastagens praticamente contornam os espaços urbanos e o conhecimento sobre a agressividade e a extemporaneidade dessa técnica agrícola já está bastante disseminado em toda a sociedade, as queimadas já deveriam ter sido abolidas há muito tempo, livrando as pessoas que vivem principalmente nas periferias das cidades de todos os problemas por elas causados pelas.

No segundo caso, o absurdo liga-se à falta de consciência e de civilidade que acomete boa parte de nossa população. Acostumados a jogarem ou deixarem qualquer tipo de sujeira em espaços públicos sem a menor dor na consciência, alguns cidadãos também não se privam de jogar suas bitucas ao longo das estradas, indiferentes ao fato de poderem ou não causar um dano às pessoas ou ao meio ambiente.

Seja por meio de um ou de outro caso, o fato é que o absurdo continua se repetindo e todos os anos, nos obrigando a enfrentar a sujeira e as doenças que se intensificam por conta das queimadas.

Já está na hora de nossas autoridades serem um pouco mais rígidas com essa atitude. O que a conscientização ainda não conseguiu, talvez seja possível com algumas punições que avancem sobre os bolsos desses transgressores.
 

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