A imprensa, esta semana, noticiou a quantidade de milhões de reais que alguns esportes olímpicos receberam do governo brasileiro mas não transformados em medalhas em Londres.
Só para se ter uma idéia, o atletismo, que não conseguiu sequer uma medalha, recebeu nos últimos quatro anos através da Confederação Brasileira de Atletismo, mais de R$ 129 milhões em recursos públicos.
Já a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) recebeu mais de R$ 60 milhões de reais de verbas públicas. Não obstante, a seleção feminina não chegou à segunda fase.
Já a masculina, teve um ‘brilhareco’– ganhou da Espanha, mas em jogo no qual transpareceu que ambas as equipes não queriam ganhar, para evitar confronto com a seleção americana na segunda fase.
Outras confederações, como a Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e a de Hipismo (CBH) também receberam generosos aportes financeiros feitos através de repasses da Lei Agnelo Piva e, igualmente, tiveram resultados inexpressivos.
Antigamente era comum justificar maus resultados colhidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em face da precariedade de investimentos no desporto amador.
Agora, em Londres, a justificativa tem que ser outra, pois é inegável que houve investimentos de vulto na maioria das confederações.
O fato é que só conseguimos três medalhas de ouro. Em Atenas, 2004, com menos investimento, atletas brasileiros subiram cinco vezes ao lugar mais alto do pódio. O COB reconhece publicamente que o desempenho do País em Londres ficou bem abaixo do esperado.
Por outro lado, o Brasil teve ótimo desempenho na edição de 2012 dos Jogos Paraolímpicos (ou Paralímpicos) de Londres, encerrados neste último domingo.
Atingiu plenamente o objetivo e alcançou o o sétimo lugar da classificação geral, à frente, inclusive, da Alemanha. O País somou 47 medalhas, sendo 16 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze, resultado considerado muito bom.
Interessante – e paradoxal – é que, sabidamente, o desporto paraolímpico do Brasil não recebe investimentos em quantidade suficiente. Mesmo assim, devotados atletas portadores de necessidades especiais, conseguem resultados inesperados, porém expressivos.
No caso desse atletas, a mídia repercutiu casos em que o competidor, para poder treinar, necessita despender de recursos próprios, sendo que muitos deles retiram do próprio sustento e da família, para aquisição de material necessário ao treinamento.
Com esse quadro, parece evidente que o Brasil está longe de se tornar potência olímpica na verdadeira acepção da palavra, mas já pode, sim, se considerar uma nação paraolímpica.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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