A questão da obrigatoriedade do curso para mototaxistas, motofretistas e motoboys parece mesmo não ter fim. Se primeiro apontamos nesse espaço o absurdo de se obrigar esses profissionais a um curso que não existia nem na cidade nem na região, com todos os desdobramentos incoerentes que ocorreram em um espaço de quase dois anos, agora somos obrigados a ressaltar a inércia mostrada por esses profissionais, já que agora o curso está sendo oferecido, mas não está encontrando respaldo daqueles que tanto reclamaram o não oferecimento do curso em nossa cidade.
De acordo com o diretor do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), Maurino Malta, o motivo do desinteresse seria o adiamento da fiscalização, que em função de alguns erros burocráticos no momento de se oferecer o curso em nossa cidade, acabou ficando para fevereiro de ano que vem.
Nesse sentido, como bons brasileiros que são, parece que os profissionais que deveriam ser os maiores interessados estão deixando para fazer tudo de última hora. O comportamento é, no mínimo, incoerente. Depois de tanta luta para que o curso fosse oferecido em Franca, depois de tantas reclamações em relação ao oferecimento do curso em Ribeirão Preto, o que os obrigaria a interromper o trabalho e a um deslocamento oneroso, o que se esperava era o empenho da categoria para fazer o curso e a cumprir a lei, encerrando de vez essa novela. Até porque o Sest/Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), órgão do governo responsável pela realização do curso, pode interrompê-lo a qualquer momento e voltar a oferecê-lo apenas em Ribeirão Preto, já que está tendo custos extras para mantê-lo em Franca. Se isso acontecer, a ladainha pode começar outra vez.
Por essa razão, talvez esteja faltando uma ação efetiva doórgão que representaa categoria. Que reúna os profissionais e cobrea participação dos mesmos. No momento de reclamar da lei e da obrigatoriedade do curso os profissionais se organizaram e houve, inclusive, algumas manifestações de rua. Tudo legítimo, considerando as dificuldades para realizar o curso e a necessidade de fazer o mesmo. Agora, porém, quando tudo parecia resolvido, adiar a realização do curso como se nada tivesse acontecido durante todo esse tempo soa estranho.
Essa situação, em todo o caso, serve como ponto de partida para uma importante reflexão. Em uma sociedade complexa como a que vivemos, não basta apenas reclamar uma atitude de nossas autoridades e ficar esperando que elas resolvam todos os problemas. É imperativo que o cidadão também faça a sua parte e cumpra com suas obrigações.
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