Produção de cana-de-açúcar nas fazendas da região aumenta 50%


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O produtor Irineu Monteiro em meio ao canavial da sua fazenda em Patrocínio Paulista
O produtor Irineu Monteiro em meio ao canavial da sua fazenda em Patrocínio Paulista

A produção de cana-de-açúcar para a indústria nas lavouras de Franca e região sofreu um aumento expressivo na última década. De acordo com uma estimativa divulgada em junho deste ano pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola), a produção da safra atual deve chegar a 38,5 milhões de toneladas, enquanto que em 2002 esse número foi de apenas 26,2 milhões de toneladas, indicando um crescimento de 46,9%. Somente em relação a 2011, quando a safra na região foi de 36,9 milhões de toneladas, o aumento previsto é de 4,3%.

Em todo o Estado, a expectativa é colher 416,3 milhões de toneladas, 2,5% a mais do que no ano passado. O estudo levou em conta lavouras de todo porte nas cidades da região administrativa de Franca, composta por 23 municípios.

A assessora de Gestão de Qualidade do IEA, Denise Caser, explica que a expansão da cana nos últimos anos aconteceu não só em Franca, mas em todo o Estado de São Paulo. “É uma cultura que tem avançado sobre outras culturas (leia texto nesta página). Na última década, aumentou a demanda por açúcar e álcool - tanto o anidro (usado na mistura com a gasolina) quanto o hidratado.”

Apesar de ser uma tendência, Denise Caser não acredita que a mecanização da colheita tenha contribuído para um aumento de produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar. “Ela apenas acelera o corte da cana num ponto em que ela está com um alto nível de sacarose. Dependendo da mão de obra, não há colheita quando o tempo está chuvoso e a cana se perde, o que não ocorre com máquinas”, explicou. “Na verdade, o que vai influenciar na produtividade agrícola são as variedades, o solo e o clima.”

Irineu de Andrade Monteiro, produtor de cana-de-açúcar para a indústria e presidente do Sindicato Rural de Patrocínio Paulista, concorda com a pesquisadora. A sua fazenda é voltada para a cultura da commodity, que é colhida e enviada para uma grande usina do município. Monteiro não está envolvido no processo de produção, apenas na cessão das suas terras. “Arrendamos as terras para a usina, que aplica tecnologia de ponta na cana. Com a genética e os tratos culturais (práticas que possibilitam a produção máxima de uma lavoura), a produtividade e a renda são crescentes. Há 15, 20 anos, no mesmo espaço, produzia-se muito menos cana do que hoje.”

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