O francano consome hoje o triplo do que gastava há dez anos. Estudo do IPC Maps 2012, desenvolvido pela IPC Marketing Editora, aponta que este ano o potencial de consumo de Franca deve chegar a R$ 5,5 bilhões - três vezes mais que os R$ 1,73 bilhão consumidos em 2002. A ascensão da classe C, o aumento do poder de compra, o acesso ao crédito e a mudança do perfil econômico do município são alguns dos fatores apontados para essa mudança de cenário.
De acordo com o economista Hélio Braga Filho, a expansão do consumo em Franca acompanha a realidade do país. “O consumo cresceu muito no Brasil nos últimos anos, principalmente o consumo das famílias, que era até então o carro-chefe do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).”
O principal fator que impulsiona o consumo em todo o país é o aquecimento do mercado de trabalho. No caso francano, a última década foi marcada por investimentos e entrada de novas empresas no município. “Franca deixou de ser industrial para ser hoje uma cidade multissetorial. A atividade industrial ainda existe, mas conta atualmente com uma atividade terciária bem diversificada”, afirma Braga Filho.
Prova disso é o salto no número de admissões no setor comercial em Franca. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), de janeiro a julho de 2003, Franca admitiu 3,5 mil pessoas no setor comercial. No primeiro semestre de 2012, foram 8,3 mil novos empregos - mais que o dobro que o observado nove anos antes. Já a indústria não apresentou crescimento semelhante. No primeiro semestre de 2003, foram 14,6 mil admissões. Em 2012, a soma foi de 23,7 mil empregos.
“O setor que mais cresceu em termos de empregos e empresas foi o setor comercial. Os investimentos são, em maioria, para empresas de micro e pequeno porte. Apesar de gerarem poucos empregos por estabelecimento, são muitas empresas em quantidade, aumentando o estoque de vínculos formais e diminuindo a informalidade”, explica o economista.
E é o registro em carteira de trabalho mais um aliado do aumento de consumo. Quanto maior for a entrada no emprego formal, maiores os índices de concessão ao crédito. “A massa de rendimento aumenta a possibilidade de acesso ao crédito, o que consequentemente aumenta o consumo”, afirma Braga Filho. Ainda de acordo com o economista, na última década houve uma maior descentralização da renda, o que influencia diretamente o poder de compra do cidadão. “O número de pessoas com uma faixa de salário menor (até três salários mínimos) aumentou. Em contrapartida, diminuiu o número daqueles que tinham renda superior a dez salários mínimos”, diz.
NO COMÉRCIO
Cassiano Regis Murari, 30, trabalhou na indústria calçadista por mais de oito anos. Há um ano, decidiu se arriscar e partir para o varejo. “A área da indústria ficou muito difícil devido ao salário e à mão de obra exigente. Decidi então tentar o comércio, que me abriu as portas no sentido de conhecer mais pessoas e fazer mais contatos.”
No período em que trabalhava como auxiliar de produção, Murari ganhava cerca de R$ 700 ao mês. O atual emprego de vendedor em uma loja de roupas rende R$ 1,1 mil mensais. “Minha vida melhorou. Em um ano trabalhando no comércio, consegui financiar uma moto. Meu próximo passo é deixar de morar com meus pais e ter minha casa própria”, planeja.
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