Alexandre Ferreira nasceu em Ribeirão Preto e tem 44 anos. É casado com a advogada Cintia, com quem tem dois filhos. Cursou medicina veterinária na Universidade de Alfenas, em Minas Gerais. Assim que concluiu a graduação, foi aprovado num concurso público para para veterinário da prefeitura de Franca, onde trabalha há 20 anos.
Além da graduação, Alexandre é mestre em promoção de saúde e pós-graduado em gestão pública. Além de ser servidor de carreira, é professor no curso de medicina da Unifran.
O candidato fez parte do governo Sidnei Rocha e acumulou duas pastas - Saúde e Desenvolvimento Econômico. Antes, no governo Gilmar Dominici, foi diretor da Vigilância Sanitária.
É filiado ao PSDB. Anteriormente, integrou o PP. Pela primeira vez, disputa um cargo eletivo.
Comércio da Franca - Por que o senhor quer ser prefeito da cidade?
Alexandre Ferreira - Eu quero ser prefeito porque Franca precisa de uma pessoa preparada, de um grupo preparado, de uma equipe muito boa de trabalho, porque é uma cidade difícil de administrar, que tem pouco recurso, mas que tem uma característica importantíssima: tem um povo muito feliz, empreendedor e que precisa ser ajudado.
Comércio - O seu programa eleitoral é, na verdade, o ‘Show do Sidnei’. Há dias sua presença se restringe a poucos segundos, enquanto o prefeito monopoliza o horário (...) Não é constrangedor apostar mais na imagem do prefeito do que na própria competência?
Alexandre - Muito pelo contrário. Competência as pessoas já viram que a gente tem. Agora, inegavelmente, um governo que tem 93% de aprovação em função do Ibope, 74% de aprovação do próprio prefeito, ele tem que falar aquilo que nós fizemos, aquilo que nós conseguimos - transformar a cidade e melhorar a cidade.
Comércio - O transporte público em Franca é alvo de reclamações e protestos. Quais são suas propostas efetivas para melhorar o transporte público no município?
Alexandre - As tarifas em Franca hoje são praticadas em função do enorme número de leis que fazem com que várias pessoas possam ser transportadas na nossa cidade de graça. São leis que foram feitas ao longo do tempo e isso é levado em conta quando você faz um processo licitatório para colocar uma empresa para fazer (...) o trabalho de transporte público em Franca. Tanto é que, quando do certame licitatório, várias retiram na prefeitura documentos para entrar na licitação e acabam não voltando porque acham inviável. Agora, uma coisa que pode ser melhorada é o transporte intra-bairro.
Comércio - Então não há o que fazer pra abaixar a tarifa?
Alexandre - Não. Há melhoria de qualidade.
Comércio - Há pouco tempo o prefeito Sidnei Rocha cogitou a possibilidade de fechar a Guarda Civil sob a alegação de que a finalidade é muito restrita. Quais são seus planos para a corporação?
Alexandre - A finalidade é realmente restrita, mas a Guarda Civil tem que ser fortalecida. Não no sentido de contratar um monte de coisas, mas definir realmente qual é a função dela e fazer agir.
Comércio - O senhor defende a Guarda armada?
Alexandre - Não, acho que não é hora, precisa de treinamento ainda. A arma de fogo é uma coisa muito perigosa.
Comércio - A saúde pública é uma das áreas mais sensíveis - e problemáticas - da cidade. Sobram reclamações em todas as áreas. Como resolver essa situação?
Alexandre - A Secretaria de Saúde é talvez a mais difícil que tenha em qualquer governo, em qualquer local. A grande diferença é que, aqui, quanto melhor... Por exemplo, nós entramos aqui (e) atendíamos em torno de 30 mil pessoas/mês. Hoje a gente atende 1 milhão e 200 mil consultas/ano. Isso quer dizer o seguinte: quanto melhor for o seu serviço, mais gente vai procurar o seu serviço. Isso é uma coisa clara, mercado, isso é normal. Nesse propósito, nós temos uma melhoria de qualidade... Por exemplo, nós não temos gente morrendo em corredor, sem atendimento, como teve nas cidades vizinhas. Agora, precisa melhorar muito, precisa caminhar muito...
Comércio - O senhor fez uma analogia curiosa entre saúde e mercado. O senhor está dizendo que as pessoas “ficam doentes” porque o atendimento é bom?
Alexandre - Não, eu não estou dizendo que as pessoas ficam doentes. Muito pelo contrário. Eu estou dizendo que as pessoas têm absoluta certeza que nós temos ações preventivas que podem dar suporte a elas.
Comércio - Então por que reclamam?
Alexandre - Porque... Interessante. Nós fazemos 1,2 milhão de consultas no mês, mas a gente não tem nem 10% de reclamação. Nós temos 1200 reclamações ano? Nós não temos. O que nós temos é uma condição muito boa de atendimento, mas principalmente, pessoas que não concordam com o tipo de atendimento que recebem. E eu explico: por exemplo, quem vai no pronto socorro porque está com a pressão alta. Não tem que estar no pronto socorro. Uma vez só, sim. Ela vai, controla a pressão, baixa a pressão, e ela tem que voltar nas nossas ações preventivas, na unidade básica, para receber medicamento, para conversar com o médico... Agora, as pessoas não vão... Se não tem crise não precisa ir no pronto socorro. pronto socorro é para tirar gente que está em risco de vida. pronto socorro não é pra ficar atendendo todo mundo.
Comércio - O senhor, como professor universitário, mestre em promoção de saúde, pós-graduado em administração pública, participando há 6 anos e meio do governo Sidnei Rocha comandando a área da saúde, não encontrou uma solução pra contratar médico?
Alexandre - Não tem médico.
Comércio - Não tem solução?
Alexandre - Não tem médico. O que nós vamos fazer, igual nós fizemos com a oftalmologia, é contratar empresa de fora.
Comércio - Não deu pra fazer isso até hoje?
Alexandre - Sabe por que que não deu? Porque nós temos um a dívida brutal pra pagar.
Comércio - Mas o prefeito e o secretário de Finanças afirmam que a dívida foi paga.
Alexandre - A dívida foi paga, (mas) a prefeitura deve sim. Deve pra União. Se eu não me engano, 240 meses pra frente ainda...
Comércio - Um dos assuntos mais debatidos na campanha eleitoral é a questão da gestão plena da saúde, que o prefeito entregou ao Governo do Estado. O senhor retoma a gestão plena?
Alexandre - Falar em gestão plena é completamente errado. O que foi passado para o Estado é a autonomia de compra de serviços da Santa Casa - essa história de falar que passou gestão plena é balela.
Comércio - O que o candidato Alexandre vai fazer?
Alexandre - Nós precisamos ajudar a Santa Casa. Um ponto, aumentar o número de compra de serviço da Santa Casa e fazer com que as pessoas tenham acesso aos serviços; dois, criar um sistema de co-gestão entre município e estado; três, fazer com que a Santa Casa receba 1.5, 1.6 da tabela SUS, porque do jeito que tá não tem jeito, ela não paga a conta. Mesmo se a gente aumentar o volume de trabalho da Santa Casa, ela vai continuar com déficit e a gente tem que cobrir o déficit dela.
Comércio - Com relação aos moradores de rua que são dependentes químicos - drogas ou álcool. Se eleito, como é que o senhor pretende enfrentar essa questão? Defende a internação compulsória?
Alexandre - Não, não gosto de internação compulsória, acho que não é correto. Nós temos um médico específico, que gosta disso, ou seja, consultório de rua, para atender essa população de rua e dar a ela condição de ser qualificada, ter um local para ficar, se reestabelecer.
Comércio - Franca tem um problema crônico de falta de vagas para atender crianças nas creches da cidade. Estudos indicam que o município precisa construir mais 25 unidades para zerar o déficit de vagas. Como o senhor pretende resolver esse problema?
Alexandre - Se todos os prefeitos anteriores tivessem se importado, como nós (nos) importamos, em construir creches, nós não estávamos nessa condição. Quando nós assumimos, nós tínhamos 25 creches, mais ou menos, hoje nós vamos a 51 até o final do ano. Vinte e uma que nós fizemos já (foram) entregues. Ë muito fácil, pra quem já fez, continuar fazendo.
Comércio - O senhor foi secretário de Saúde por 6anos e meio. Foi o que mais tempo permaneceu no cargo. Se não resolveu neste tempo problemas crônicos como as filas para cirurgias eletivas, que garantia a população terá de que o senhor, como prefeito, melhorará a saúde?
Alexandre - A responsabilidade da fila de cirurgia eletiva é do Estado. Quando ele assumiu, em 2007, nós não tínhamos mais (de) 100 pessoas na fila. Quando ele assume dizendo que ia pagar pra Santa Casa, a Santa Casa deixou de fazer, porque o Estado fez uma gestão errada dos serviços, e aí aumentou a fila de cirurgia eletiva. O que o município hoje tem que fazer, retomar (...) a co-gestão da Santa Casa, co-gestão do projeto e da proposta de compra de serviço da Santa Casa, remunerar e pagar. Mas acho importante isso... Franca não tem capacidade operacional para fazer cirurgias eletivas, todas, aqui em Franca, no volume que a cidade precisa (...) Principalmente, (temos que) remunerar melhor a Santa Casa, porque nem ela queria fazer pelo preço da tabela SUS.
Comércio - Se o senhor quiser comprar, não pode comprar e acelerar a fila?
Alexandre - Aqui na Santa Casa, não.
Comércio - Se alguém chegar lá, um ‘santo’, com 20 milhões de reais e dizer: ‘Vou comprar’... Não anda?
Alexandre - Isso, fora do dinheiro SUS. Nós temos que fazer sem o contrato do SUS, fazer lá.
Comércio - A Santa Casa não faria se o senhor quisesse pagar?
Alexandre - Isso (...) Ela não tem capacidade operacional.
Comércio - O secretário de Finanças, Sebastião Ananias, companheiro de governo do senhor, diz que a candidatura de Alexandre Ferreira foi ‘uma farsa’ e que as prévias foram organizadas para lhe beneficiar. Como o senhor reage a essa crítica?
Alexandre - Eu levantei às cinco da manhã dois meses antes, todo santo dia, pra fazer campanha antes do meu horário de trabalho. Eu fui dormir meia noite e meia, 2h da manhã, todo dia, antes da campanha, fora do meu horário de trabalho, para ganhar na prévia. Pergunta se ele fez isso. Cartinha não resolve, resolve é conversar com o eleitor.
Comércio - Pergunta enviada por Ronaldo Pereira, que é conselheiro do jornal. Ele pediu para definir, em rápidas palavras, cada um de seus adversários.
Alexandre - São colegas, não são inimigos. Acho que quem vai julgá-los não sou eu, não tenho que julgar ninguém, não. Cada um tem a sua característica, cada um tem as suas qualidades e o povo tem que avaliar.
Nome: Alexandre Ferreira
Estado civil: casado com a advogada Cintia Milhim
Filhos: Pedro e Augusto
Nasceu em: Ribeirão Preto
Profissão: veterinário
Cargos que ocupou: diretor da Vigilância Sanitária (governo Gilmar Dominici); secretário municipal da Saúde e do Desenvolvimento (go-verno Sidnei Rocha).
Religião: Católica
Esportes Favoritos: futebol e basquete
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