Jesus vem curar


| Tempo de leitura: 5 min

Estamos vivendo o mês da Bíblia. A Palavra de Deus que é a “carta de amor de Deus por nós”, traz, a cada dia, sentido novo para a nossa vida

Hoje Deus continua falando conosco. Somos seus filhos muito amados. Nesse 23º Domingo do Tempo Comum a Palavra de Deus apresenta Jesus, que passou por esta terra fazendo o bem. Quais são as lições resrvadas para nós, hoje?

PRIMEIRA LEITURA — ISAÍAS 35
O profeta compõe esse oráculo e o oferece aos israelitas que, exilados, se encontram na Babilônia. Abatidos e desanimados, lembram seus parentes massacrados pelos soldados caldeus, de suas casas, das lavouras em chamas, da sua terra que ficou deserta e se transformou num reduto de chacais, e se perguntam se um povo golpeado por tantas desgraças ainda poderá manter a esperança de recuperar-se.
A resposta do profeta é uma mensagem de esperança para estas pessoas aflitas. Começa com palavras muito reconfortantes: “Coragem! Não temais! O vosso Deus vem para vos salvar!”, e continua com o anúncio de mudanças extraordinárias: “então se abrirão os olhos dos cegos e se desimpedirão os ouvidos dos surdos. Então o coxo saltará como um cervo e a língua do mudo dará gritos alegres”. Deus está para entrar em ação em favor deles: todas as doenças serão curadas. Sem demora vai aparecer a luz da salvação e os prisioneiros poderão retornar à a terra dos seus antepassados, as suas pernas ficarão fortalecidas, escutarão a palavra do Senhor e a anunciarão a todos.
Esse oráculo fez surgir em Israel a convicção de que a cura dessas doenças teria sido o sinal dos tempos messiânicos. Os rabinos ensinavam que, com a sua vinda, o Messias teria restituído a vista aos cegos, teria curado os coxos, teria feito os surdos ouvir e os mudos falar. Realizando estes sinais Jesus mostra ser ele o Messias esperado. As promessas contidas nesse texto começaram a se cumprir com a vinda de Jesus, mas não se realizaram em toda a sua plenitude durante a sua vida. Nós discípulos, nos dias de hoje, somos convocados para levar a cabo sua obra. O sinal da chegada do Reino de Deus neste mundo é a vitória contra toda forma de enfermidade física ou espiritual, contra qualquer forma de escravidão e contra todas as situações nas quais a dignidade do ser humano é atingida.

SEGUNDA LEITURA — TIAGO 2
A carta de Tiago é um escrito de caráter sapiencial, isto é, mostra a sabedoria do discernimento cristão diante das situações... O capítulo 2 gira em torno do tema da fé. Em primeiro lugar,Tiago afirma que a fé não discrimina pessoas; em segundo lugar, mostra que, sem as obras, ela não tem sentido. O texto garante que a fé em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir consideração de pessoas. Esse texto surgiu por causa da exploração dos ricos sobre os pobres. De fato, nos VV. 6-7 afirma-se que os ricos os oprimem, arrastando-os perante os tribunais, difamando o nome sublime que foi invocado sobre os cristãos.
Seria ingenuidade pensar que a carta se limita a dar conselhos para boa ordem nas assembleias, como se misturando ricos e pobres na mesma sala resolvesse a questão. Os pobres não devem ser simplesmente privilegiados com lugares de honra. São, isso sim, os herdeiros do Reino que Deus prometeu aos que o amam. A fé torna todos iguais. Por isso, devem cessar opressões e explorações, pois não se trata de igualdade teórica. A fé conduz a relações sociais justas.

EVANGELHO — SÃO MARCOS 7
A atividade de Jesus em território pagão realça a universalidade de sua missão. Marcos destaca que Jesus veio para comunicar a vida a todas as pessoas, abolindo distinções entre povos impuros e puros. O gesto da imposição das mãos, solicitado pelos que trouxeram o homem surdo, era um gesto familiar a Cristo e de uso tradicional para a transmissão de poder e autoridade, para a transmissão de bênçãos.
Os que trouxeram o enfermo pensavam, pois, que esse gesto fosse essencial para a cura. Jesus, apartando-se da multidão com o surdo-mudo, queria muito provavelmente evitar qualquer mal-entendido de cunho messiânico. Jesus colocou os dedos em seus ouvidos, como que indicando que ia abri-los, e cuspindo, com a saliva tocou a língua dele. Vale lembrar que, na antiguidade, a saliva era considerada remédio medicinal. Os gestos e os toques de Jesus vão despertando, excitando a fé daquele homem, preparando-o para o que vai realizar (ver Isaías 50,4-5). Antes da palavra de ordem para a cura, Jesus, olhando para o céu suspirou, assim indicando que a cura que haveria de seguir era obra do Pai, a fonte de todo o bem. Depois de sua oração silenciosa, ordenou a cura: abre-te (efatá)! Imediatamente seus ouvidos se abriram e sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade”. Uma vez que Marcos não se refere nem à possessão, nem a algum espírito, como faz em tantos outros casos, é bem provável que se tratasse de um defeito natural. Cristo, consciente de que realizava o plano do Pai e não buscava “atrair os holofotes” sobre si mesmo, além de afastar-se da multidão para realizar a cura, recomenda insistentemente que não o digam a ninguém. Marcos evoca Isaías, lembrando que Jesus havia feito os surdos ouvirem e os mudos falarem. Foi Jesus mesmo que, interrogado pelos mensageiros do Batista se ele era o Messias, deu exatamente essa resposta (cf. Mt 11, 1-6; Lc 7,18-23).

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários