Pesquisa: brasileiro aumenta o consumo de calçados por ano


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A empresária Cidinha Vieira em seu closet de sapatos, que tem mais de 150 pares catalogados
A empresária Cidinha Vieira em seu closet de sapatos, que tem mais de 150 pares catalogados

Uma pesquisa desenvolvida pelo IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial) apontou que o brasileiro compra, em média, 3,8 pares de calçado por ano. De acordo com o economista francano Hélio Braga Júnior, é a primeira vez que o consumo no setor rompe a barreira dos três pares no País. A pesquisa foi feita no final de junho. Para se ter uma comparação, nos Estados Unidos e na Europa, a média é de seis pares por ano.

Na “capital do calçado”, a pesquisa repercutiu bem. José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca, disse que o aumento do consumo é um bom sinal, diante do cenário atual. “Não temos dúvida de que esse aquecimento no mercado interno será muito positivo, pois, se aumenta o consumo, aumenta a produção, o emprego e as riquezas para nossa cidade”. O sindicalista disse ainda que o aumento se deve também ao fato de o setor calçadista ter entendido as transformações no comportamento dos consumidores. “O sapato passou de um item básico para um item de moda. Hoje muitos trocam de sapato conforme as coleções mudam. O poder aquisitivo das pessoas também mudou e isso é um estímulo para os consumidores, que têm comprado mais sapatos do que em anos anteriores.”

O economista Braga disse que a mulher é quem consome mais e que está havendo uma reação favorável do mercado doméstico. Segundo ele, vários fatores favoreceram o aumento do consumo nacional. O principal deles foi a queda nas importações de calçados dos últimos quatro anos, provocada pela crise financeira enfrentada por Estados Unidos, em 2008, e Europa, recentemente.

Sem ter para onde exportar, a indústria calçadista passou a insistir no consumo interno. Entretanto, diz o economista, o consumidor nacional já estava comprometido com outras dívidas o que, paradoxalmente, favoreceu o aumento na procura por sapatos. “Muitas famílias acabaram se expondo às facilidades do crédito e compraram automóveis, imóveis e eletrônicos até chegar ao limite. Por isso, enquanto estes setores estavam em alta, o setor de calçados estava em baixa. Como as famílias já haviam se endividado, optaram por continuar consumindo produtos de menor valor, como o calçado, por exemplo.”

CONSUMIDORES
O técnico de TV César Henrique Justino, 26, foi um dos que passou a comprar mais sapatos, chegando a cinco por ano. “Passei a comprar mais por causa do salário. Normalmente, parcelo em três vezes no cartão de crédito. Cada par custa cerca de R$ 250 e dura em média um ano ou um ano e meio. Acho que é um tempo bom, porque eu só uso meus sapatos quando estou de folga.” Durante a semana, ele usa bota de borracha da empresa.

Já a consultora empresarial Maria Aparecida Vieira, a Cidinha, 50, se orgulha de seus mais de 150 pares guardados e catalogados em seu closet. “Eu só tenho sapatos que eu uso. Calçado fora de moda ou que não uso mais, dou para amigos e familiares.”

Ela explicou que, como trabalha no setor calçadista de Franca, recebe muitos pares de presente. “Meus clientes que trabalham no setor costumam me presentear com alguns pares. Na verdade, os parentes e amigos sabem que eu sou, verdadeiramente, fissurada por sapatos. Quando alguém pensa em me dar um presente, logo escolhe sapato, porque sabe que vai acertar.”

No período de um ano, a empresaria disse que costuma comprar em torno de 20 pares. Segundo ela, as empresas de Franca já perceberam que são as mulheres que jogam para cima o índice de consumo. “Se eu vejo um modelo interessante, não tiro ele da cabeça. Assim como toda mulher. Às vezes, compro um mesmo modelo em três cores diferentes.”

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