‘Ato marca negativamente a universidade’, fala Samuel


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Samuel Cardoso Santana, integrante do grupo que convidou o príncipe
Samuel Cardoso Santana, integrante do grupo que convidou o príncipe

Comércio da Franca - Por que convidar Dom Bertrand para falar sobre a monarquia e não um professor especializado, como argumentaram os manifestantes? Há algum monarquista no grupo?
Samuel Cardoso Santana -
Eu devolvo a pergunta: por que não convidar? O Civi é um grupo apolítico, a despeito do posicionamento individual de cada um de seus membros. Ele existe como um grupo de estudos. Seu objetivo é fornecer ferramentas que nos permitam compreender melhor as diversas engrenagens de nossa sociedade. Geralmente, estudamos áreas e temas que não existem nos cursos e também buscamos pessoas que não costumamos ouvir normalmente. Dom Bertrand, apesar de não ser acadêmico, é obviamente um conhecedor da monarquia. Na verdade, esses grupos de estudantes sempre se posicionam contra quando os convidados não comungam de suas idéias. Em outro evento que fizemos, houve também ameaças de confusão, pois nós convidamos o professor Ricardo da Costa, que segue uma linha oposta ao pensamento de Paulo Freire.

Comércio - Vocês também foram rotulados como direitistas e ofendidos pelos manifestantes?
Samuel -
Bastante. Fomos acusados de ser monarquistas, escravistas, católicos radicais e também homofóbicos. Mas isso é um absurdo. No grupo há os mais diversos posicionamentos políticos, religiosos e culturais. Há homossexuais no grupo, há pessoas que não têm preferência política e até uma pessoa que é umbandista.

Comércio - Mas há monarquistas também?
Samuel -
Monarquistas não, mas há pessoas que têm alguma simpatia pelo regime. Mas se prestarmos atenção, nós vivemos muito mais tempo sob o regime monárquico do que sob o republicano. Não é possível que ele não tenha relevância na formação de nosso povo e de nosso país. Eu mesmo já postei alguns comentários positivos sobre a monarquia em meu “Face” (Facebook). Mas isso não quer dizer que eu seja monarquista, nem que defenda o latifúndio, o catolicismo radical ou qualquer outra coisa do que nos acusaram.

Comércio - Conhecendo o movimento estudantil, vocês não se preocuparam com os posicionamentos mais radicais defendidos por dom Bertrand?
Samuel -
Não tinha motivo. Não são nossos posicionamentos, são dele, e nós queremos ouvir a todos. Da mesma forma que existe extrema esquerda, existe também a extrema direita. E em nosso campus já vieram vários palestrantes que militam na esquerda e nem por isso nós acusamos os organizadores de extremistas e nem fizemos qualquer confusão. Se tivermos que fazer um “pente fino” ideológico para convidar algum palestrante, aí será o fim da democracia na universidade.

Comércio - Como foi a manifestação?
Samuel -
Havia umas 200 pessoas. Eram militantes políticos e de movimentos sociais e não apenas estudantes. As lideranças e militantes seriam, mais ou menos, em torno de 30 ou 40 pessoas. O restante dos alunos foi iludido por essas pessoas, muitas delas transformadas em estudantes profissionais, aqueles que praticamente moram no campus e demoram de oito a dez anos para se formarem. Infelizmente, eles invadiram o anfiteatro e não deixaram acontecer a palestra. O professor Pedro Tosi, que representava a direção da Unesp, chegou a oferecer o microfone para que os alunos se posicionassem, mas eles não quiseram falar. Também houve certa violência por parte dos manifestantes. Eles jogaram a mesa que servia de apoio para se fazer as inscrições em cima das meninas que estavam recepcionando o evento. Na saída, também, houve empurrões, muitos xingamentos e até algumas cusparadas.

Comércio - Qual a impressão que fica do episódio?
Samuel -
Para mim esse episódio foi grave e injusto. Grave porque a instituição parece não conseguir conter seus alunos. Grave porque havia até professores insuflando os alunos. Mas é injusto porque acaba marcando negativamente toda a universidade e os alunos. E, se você fizer as contas, o número de manifestantes estaria próximo de 10% do número de alunos da universidade.

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