Verdadeira liberdade


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No item 4 do seu capítulo XVII, O Evangelho segundo o Espiritismo diz: “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações”. É evidente que, inobstante a nossa assiduidade às reuniões e firmeza de propósitos, consideramo-nos ainda muito distantes da desejável condição de verdadeiros espíritas.

A frequência às reuniões, a excelência da qualificação mediúnica, a exposição brilhante, a fé nos passes e na água fluidificada não constituem por si só as condições essenciais a que sejamos espíritas autênticos. Espírita verdadeiro, porquanto, é aquele que, orientando-se pelos ensinamentos do Evangelho de Jesus, em que se consubstancia a sua doutrina, deixou-se sublimar pela transformação moral. É por isso que o Espiritismo encarece o combate incessante contra o insistente homem velho que vive em nós, com os seus vícios e paixões arraigados. É uma luta titânica contra o inimigo que somos de nós mesmos, a impor-nos severas barreiras diante do desejo comum de sermos efetivamente felizes.

Como é difícil erradicarmos da nossa personalidade um hábito nocivo, por menor que seja! E são exatamente as nossas imperfeições – “a trave no olho” – que nos levam, indignados, a ver defeitos nos outros. Tais inconvenientes morais agravam-se pelo que se nos parece uma força de inércia a nos quedar, conformados com a repetição das nossas faltas.

Por isso, disse Jesus: “Vede o cisco no olho do vosso próximo e não vedes a trave no vosso olho.” Temos medo de enfrentar a nossa própria realidade e sucumbimos à tendência de transferir aos outros aquilo que nos faz indignos. Julgamos ser do semelhante a responsabilidade que é nossa, além de atribuir-lhe falhas que nos pertencem, supondo-nos, farisaicamente, vencedores das nossas próprias fraquezas.

Ainda somos os “túmulos caiados por fora e cheios de podridão por dentro”, razão de nosso Mestre Jesus haver-nos asseverado que “não veio trazer a paz, mas a guerra”. É o combate que se trava portas a dentro da nossa personalidade, cuja vitória depende da conquista do terreno firme do amor e da humildade, onde se derrotam o egoísmo e o orgulho.

São conquistas que demandam tempo, mas requerem urgência, mormente agora que o planeta passa por transformação. Que nos posicionemos sob o imperativo da necessária depuração moral, conscientes, contudo, de que alcançarmos a vitoria nesta guerra íntima demandará dias ou séculos segundo o tamanho do nosso empenho. E só então teremos conquistado a verdadeira liberdade, que sempre corresponderá, exata e justamente, ao nosso consciente grau de responsabilidade.

Felipe Salomão
Bacharel em Direito e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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