A monarquia já não é mais um assunto corrente entre nós. Afinal, a República já tem 123 anos. Mas isso não quer dizer que não existam mais monarquistas no Brasil. Como vivemos a maior parte de nossa história sob a vigência desse regime, não é de todo impossível acreditar que muitos ainda sintam certa simpatia por ele.
Além disso, a monarquia não desapareceu do mapa político mundial. Ao contrário, continua forte em várias partes do mundo, inclusive em países econômica e socialmente mais desenvolvidos que o Brasil, como Inglaterra, Suécia e Dinamarca, entre outros.
É natural, portanto, a despeito de não ser corriqueiro em nosso cotidiano, que ainda existam debates que coloquem a monarquia como assunto e é impossível desconsiderar a importância história que ela teve na história deste país.
Portanto, era de se esperar que uma palestra que trouxesse como tema principal a monarquia, seus valores, e as possíveis vantagens que esse sistema de governo poderia trazer para o desenvolvimento de nosso país, fosse democraticamente aceita entre nós.
A despeito de se concordar com os argumentos dos defensores dessa forma de governo, era imprescindível preservar seu direito de expressá-los, até porque essa liberdade de expressão deveria ser parte intrínseca dos ideais que forjaram a nossa República.
Infelizmente, porém, não foi o que se viu na Unesp, no último dia 28/08. Exaltados, alguns estudantes ligados ao movimento estudantil impediram um dos descendentes do que foi a família real brasileira de realizar uma palestra naquele campus. Apesar de convidado por um grupo de estudos da própria Unesp, não houve acordo, e, para que os ânimos não esquentassem ainda mais, a palestra foi transferida para a Faculdade de Direito de Franca, onde transcorreu em um clima de normalidade.
Mesmo considerando o direito de livre expressão dos estudantes revoltosos, é importante que se aponte a incoerência da manifestação e a deselegância extrema de se convidar alguém e hostilizá-lo. Explicada como uma defesa da liberdade de expressão pelos organizadores do protesto, a manifestação impediu justamente que essa tão sonhada liberdade de expressão fosse exercida naquele momento, já que ao invés de partirem para o debate democrático e civilizado, eles preferiram calar o direito de voz que em um regime democrático deve ser dado aos monarquistas e a quem mais quiser criticar nossa forma e nosso sistema de governo.
Seria bom que esses estudantes buscassem compreender melhor o que significa verdadeiramente a liberdade de expressão e passassem a defendê-la não somente para uso deles. A liberdade de expressão é um bem maior quando se trata de um direito para todos e não só para aquele que grita mais.
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