Attimo: breve história de Jefferson Rueda


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Restaurante já nasce famoso por causa de chef, que se envolveu em confusão
Restaurante já nasce famoso por causa de chef, que se envolveu em confusão

Alguns dias atrás, foi inaugurado em São Paulo o restaurante Attimo, que já nasceu conceituado. Aliás, antes mesmo da inauguração ele já era conceituado. Com profissionais de primeira grandeza, é um restaurante surgido a partir de pessoas.

Sobretudo por causa de um chef que esteve envolvido em grande confusão ano passado. A história é velha, requentada por conta da abertura do restaurante Attimo, um alto investimento de cerca de US$ 4 milhões. O local, não é menos impressionante: um charmosíssimo casarão (projetado pelo arquiteto David Libeskind, o mesmo que assina o Conjunto Nacional, localizado na valorizada Vila Nova Conceição), que foi todo reformado para abrigar o restaurante e ficou uma beleza! O proprietário é Marcelo Fernandes, dono de outros dois restaurantes de grande sucesso: Clos de Tapas e Kinoshita.

Bem, o chef em questão é Jefferson Rueda, rapaz de grande talento, nascido e criado no interior paulista, levou nossa cultura para a capital e é um dos chefs mais respeitados entre seus pares. Em São Paulo, sua comida é bem conhecida, mas, menos midiático, ele está um pouquinho à sombra para o público em geral.

Muito bem, Jefferson era o chef premiado do restaurante Pomodori - elevou o restaurante à condição de primeira grandeza de forma rara e exclusiva. Ele é o criador do termo ítalo-caipira, pois mistura as influências caipiras com a culinária italiana.

Voltemos ao ocaso que o levou ao Attimo e o tirou do Pomodori: no início do ano passado, num dia normal de trabalho, Jefferson Rueda soltava pela boqueta seus pratos e não via nem sentia o ar de terrorismo que se avolumava no salão do restaurante, tal qual nuvens num céu grávido de tempestades.

Tudo começou com a chegada de um senhor que exigia falar com o chef, que naquele momento não poderia recebê-lo. O dito senhor se impacientou, e simplesmente deixou um cartão de visitas com ar apocalíptico - e se foi.

Minutos depois, Jefferson, mais tranquilo, reconhece clientes no salão e vai cumprimentá-los. Mas seu telefone não para de tocar, sucessivas ligações o impedem de continuar conversando com os clientes e, meio sem jeito, o chef lhes revela que já havia comunicado a sua sócia que não seria mais o chef do Pomodori, mas que daria consultoria pelo tempo que fosse necessário.

Ao que parecia, a sócia não aceitara bem a situação, o que foi perfeitamente constatado no instante seguinte - a sócia chegou, não se deu conta dos clientes e exigiu conversar com Jefferson. Entregou-lhe uma intimação judicial que simplesmente o proibia de entrar no restaurante, em que ele já estava, e comunicou que seu salário seria objeto de depósito judicial a partir daquele dia.

Nesse momento, é preciso apresentar um novo personagem: a mulher do Jefferson, a dona onça Janaina (proprietária do bar e restaurante Dona Onça) não se fez de rogada e, honrando o apelido, saiu pelo salão do restaurante arrancando os quadros, que lhe pertenciam, da parede e em alto e bom som oferecia emprego no seu restaurante. Claro, Jefferson foi-se para não mais voltar.

Passada a tempestade, a proprietária foi até a mesa dos clientes, que até pouco tempo conversavam com Jefferson, e se desculpou, oferecendo um cafezinho. Mas não se deu conta de que se tratavam de Carlos Alberto Dória, escritor, sociólogo, jornalista e cronista gastronômico, e Pedro Martinelli, fotógrafo.

Acho que a sorte existe e ela ama os ingênuos. Jefferson foi expulso de seu reino e nada precisou explicar. Pois um sociólogo, escritor dos mais respeitados no cenário gastronômico, assistia e ouvia a tudo, e ainda degustando a última refeição do Pomodori feita pelas mãos do chef Rueda.

Dica da semana
Um dia minha amiga indignada com a ausência das alcaparras num supermercado “chique” da cidade, bradou: “Como pode não ter alcaparras? Alcaparra é básico!” Claro, meio supermercado a olhou torto e a tomou por madame arrogante...

Pena. Se minha amiga estivesse no Mediterrâneo, não teria nenhum problema, aliás, poderia bem coletá-las em meio silvestre, diretamente de um arbusto. Seu nome científico é Capparis spinosa. É curioso que se use alcaparras há milhares de anos, mas, só nos últimos dois séculos é que elas estão sendo cultivadas. Ou seja, até bem pouco tempo atrás, o que dava por ali, no mato, era suficiente para todos.

Alcaparra é um daqueles ingredientes que emprestam sabor a tudo, também por isso, pelo seu egoísmo frente aos outros ingredientes, é que muitos não a apreciam.

Mas, fiquei completamente surpreendida com a doçura e disposição em compartilhar quando a fazemos em vinagrete. Servimos aqui no restaurante, dia desses, e mesmo aqueles que não gostam de alcaparras, gostaram do vinagrete de alcaparras.

O segredo é misturar muita cebola branca, batida na faca, juntamente com a alcaparra. Tudo bem amalgamado e quase na mesma proporção, depois, azeite de boa procedência, e muita salsinha. É incrivelmente gostoso!

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