A região de Franca contabilizou 124 mortes por pneumonia nos primeiros seis meses de 2012, uma média de 20 óbitos ao mês. O número equivale a 12,6% das 979 internações realizadas nas unidades públicas de saúde no período. Em relação ao primeiro semestre de 2011, as internações caíram - foram 1.325 registradas de janeiro a junho do ano passado. Os óbitos, no entanto, ultrapassaram o registrado em 2011 - foram seis a mais que no período anterior. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde, que constatou em todo o Estado 61.830 internações e 6.360 mortes.
Grande parte dos casos de internações é de crianças menores de um ano de idade (cerca de 20%). De acordo com o pneumologista Fábio Pereira Muchão, isso acontece porque o sistema imunológico de crianças até dois anos ainda está em desenvolvimento. “As crianças são mais suscetíveis por dois fatores. Um deles é o sistema imunológico em amadurecimento. Quanto mais jovem a criança, mais imaturo é o sistema de defesa do organismo dela. Outra questão é que as crianças são muito mais acometidas por vírus respiratórios, que causam bronquiolite, resfriados e gripes. Essas infecções funcionam como porta de entrada para a pneumonia.”
Os óbitos, por outro lado, têm os idosos como principais vítimas. Em todo o Estado, 78,1% das mortes foram de maiores de 60 anos. “Assim como as crianças, os idosos têm um sistema imunológico mais frágil. Outro fator é que os idosos frequentemente têm outras doenças, como diabetes, insuficiência cardíaca, por exemplo, que favorecem a incidência de pneumonias mais graves e levam ao óbito por pneumonia”, afirma Muchão.
A professora Claudete Paganucci, 62, foi vítima da doença no início deste ano. Durante uma tarde no trabalho, ela começou a sentir dores fortes no peito, falta de ar e muita tosse. “Me levaram para o hospital, fizeram um raio-X e constataram a pneumonia e um pouco de água no pulmão. Fiquei três dias internada.” No mesmo dia em que teve alta, Claudete voltou a passar mal. De volta ao hospital, os médicos diagnosticaram uma complicação da doença. “Descobriram que eu já estava com embolia pulmonar. Fui direto para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) e passei cinco dias lá.” Mesmo depois do tratamento, a professora ainda sente as consequências da doença. “Tenho deficiência pulmonar e fôlego curto, mas graças a Deus não tive mais problemas de pneumonia”, diz.
Causadas por vírus, fungos e bactérias, as pneumonias mais comuns são as virais e as bacterianas. O tempo seco, segundo Muchão, é um dos agravantes para que a doença se alastre. “O tempo seco faz com que as secreções diminuam, e isso dificulta a eliminação de vírus e bactérias pelo sistema respiratório. Coincidentemente nessa época do ano, além da baixa umidade do ar e da poluição, os vírus respiratórios estão mais abundantes.”
No caso das pneumonias bacterianas, o tratamento é feito por antibióticos, tanto por via oral quanto por injeções. Já os casos de pneumonia viral são tratados com medicações para dor, dieta adequada e oxigênio, se necessário. Mas todo medicamento deve ser tomado com orientação médica.
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