‘Rasgacêros’ aproxima as crianças do folclore na concha acústica


| Tempo de leitura: 3 min
Arte de rua - Em tarde quente, jovens se reúnem na praça central para aproveitar oficina circense. Laço acrobático e equilibrismo fizeram parte da programação
Arte de rua - Em tarde quente, jovens se reúnem na praça central para aproveitar oficina circense. Laço acrobático e equilibrismo fizeram parte da programação

Quem passou pelo centro, na praça Nossa Senhora da Conceição, entre as 14 e 16 horas de ontem pôde ver a movimentação de crianças e curiosos que se detiveram frente a armação do grupo Rasgacêro, próxima à concha acústica. Os presentes foram convidados a interagir com atributos circenses como o laço acrobático e equilibrismo. Cerca de 20 crianças do Centro Promocional Nossa Senhora de Lourdes aproveitaram a tarde quente se divertindo com a trupe e fazendo novos amigos. “Eu estou achando super legal! As pessoas passam, vêem e tentam fazer também. Eu me equilibrei na ‘corda’, mas fiquei com medo de tentar o lenço”, confidenciou Joicemara Dias, de 11 anos.

Em um canto da estrutura, um amontoado de tênis formava uma plástica nostálgica, que remetia aos tempos de escola. No tablado montado, os pequenos se sentaram e, atentos, gritaram palavras de incentivo e também de zombaria aos colegas que se aventuraram nas brincadeiras. Vez ou outra um escapava de fininho e, descalço, corria até a fonte de água para saciar a sede.

A música que vinha do equipamento de som dos mambembes era um atrativo a mais. Eclético, o ritmo ia do pop ao chorinho em questão de minutos. A algazarra acabou atraindo até quem se intimidou no começo. Uma garotinha que não devia ter mais que 8 anos se aproximou para perguntar: “moça, essa brincadeira é só para quem é da escola?” Saiu saltitando ao ouvir como resposta que ela também poderia participar. Sob os cuidados da orientadora Amanda Gal Tocchio, a novidade transmitia segurança. “É legal ‘pra’ caramba! Ela (apontando para a Amanda) dá uma ajuda e isso é bom porque as pessoas podem aprender e quem sabe gostar e pensar em trabalhar no circo” profetizou Gabriel Antônio Ferraz, de 14 anos.

Mesmo para quem estava apenas observando sem se envolver fisicamente com o evento, a oficina deixava claro a sua proposta. “Parece que os meninos estão se divertindo. Interessante, é uma novidade para eles, né?” indagou a aposentada Adélia Leôncio que levou parte da família com ela para prestigiar o Rasgacêro.

Entre os micro cenários que se formaram naquela tarde, uma conversa chamou a atenção. Sentada em um banco, uma senhora engatou um papo intimista com Ricardo Valias, personagem da reportagem de capa do caderno de Artes de ontem. “Vi você no Comércio. Vocês viajam bastante, Ricardo, dá saudade da família não é? Sei que vocês são de Poços de Caldas (MG)...” e continuou proseando com seu mais novo amigo. Atenciosos, os Rasgacêros se misturavam aos espectadores e dividiam experiências. O ambiente daquela tarde parecia uma grande ‘casa de vó’, quando todos os primos resolvem se juntar e compartilhar a infância. Mesmo depois de adultos.

A AÇÃO
A ação é parte da turnê Rasgacêro e os Artêros Geraes, que teve inicio em setembro de 2011 e já passou por 40 municípios dos 140 que estão no roteiro, entre Minas, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. O objetivo é circular com apresentações públicas do espetáculo Mambembrasileiros, juntamente com a realização de oficinas culturais. Até o momento, foram cerca 20 mil quilômetros.

Com a peça teatral, os treze integrantes do grupo contam histórias com intervenções cômicas e improvisadas que reforçam as tradições folclóricas dos que fazem cultura na rua.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários