Gastos do Enem


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Durante muito tempo, a educação brasileira ficou um pouco largada. Seus resultados não eram avaliados e pouco se sabia sobre o que realmente estava acontecendo no sistema de ensino do país.

No final do século passado, no entanto, iniciou-se um processo amplo de avaliação. Aos poucos, todos os níveis de ensino começaram a ser avaliados, do fundamental ao superior. Ancoradas em um conceito educacional de teor mais administrativo e produtivista, essas avaliações passaram a medir os resultados de nosso sistema de ensino por todos os meios. Foram avaliados os professores, os alunos, as escolas e também as metodologias de ensino adotadas.

Mas a despeito de todo esse investimento em avaliações, passados cerca de 20 anos muito pouco foi feito em termos de se buscar as soluções necessárias para os problemas encontrados, um passo que é fundamental em qualquer processo avaliativo, uma vez que os resultados observados, mapeados e mensurados deveriam servir de parâmetro para as ações que geralmente vêm em seguida.

Agora o MEC, com a entrada do ministro Aloizio Mercadante no lugar de Fernando Haddad, que está disputando a Prefeitura de São Paulo, pretende mudar o esquema de avaliação do Enem novamente e acrescentar mais R$ 17 milhões aos R$ 332,6 que já estão previstos para esse ano.

Reportagem publicada por este Comércio no domingo, 26/08, mostra que para a equipe do ministério dinheiro não seria o problema, uma vez que a pasta conta com um dos maiores orçamentos da União nesse ano.

Mas se para o ministério dinheiro não é problema, infelizmente para a educação brasileira ele ainda faz muita falta. Se olharmos para as condições de funcionamento das escolas, para o salário e as condições de trabalho dos professores e até mesmo para as estruturas físicas e arquitetônicas que atualmente são disponibilizadas para o processo de ensino e aprendizagem nessas mesmas escolas vamos perceber claramente que o dinheiro disponível para a educação ou está excessivamente concentrado nas questões administrativas ou está sendo muito mal gerido pelos burocratas que o administram em Brasília.

Talvez fosse o momento de se diminuir um pouco essa ênfase nas avaliações e se iniciar um processo de investimento nas soluções. Menos diagnóstico e mais ação, seja ela preventiva ou curativa. A despeito da importância das avaliações, de nada adianta colocar nelas rios de dinheiro para depois colher anualmente resultados muitos parecidos, às vezes um pouco melhores e em outros momentos um pouco piores.

No fundo, estamos como aquelas embarcações que navegam ao sabor do vento. Damos um passo para frente, um para trás e dois para o lado. Como consequência, não saímos do lugar. Está na hora do ministério arrefecer um pouco esse seu ímpeto avaliativo, até porque esse excesso de dados às vezes obscurece a percepção do cenário, ao invés de clareá-la.

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