Seis acidentes envolvendo animais na pista foram registrados este ano na Cândido Portinari, entre os quilômetros 372 e 406, de janeiro a julho deste ano, segundo a Autovias, concessionária que administra a rodovia. A empresa não soube informar se o número de acidentes provocados por animais está aumentando, mas o fato é que animais soltos nas vias têm causado acidentes graves e mortes na região. Há um mês, por exemplo, um motociclista de 30 anos que voltava da visita ao filho recém-nascido morreu ao bater em uma vaca que andava pela Estrada do Leite, em Itirapuã.
Levantamento da reportagem junto aos órgãos responsáveis pela fiscalização e recolhimento de animais nas rodovias e vias públicas de Franca mostra que neste ano mais de 100 animais de grande porte (cavalos, bois e vacas) já foram flagrados nas rodovias da região e na área urbana de Franca. A Vigilância Ambiental registrou o recolhimento de 64 animais de grande porte, antes que causassem acidentes. A Polícia Rodoviária flagrou outros 50 animais soltos nas pistas da região de janeiro a julho deste ano.
Segundo o diretor de Vigilância em Saúde, José Conrado Neto, depois de capturados, os animas são registrados e seus donos são avisados, via edital em jornais, para procurar a Vigilância. “Normalmente, os donos aparecem para recolher. Caso eles não apareçam, em cinco dias úteis, nós leiloamos os animais, conforme manda o código de normas e posturas do município.”
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, animais isolados ou em grupos só podem circular nas vias públicas quando conduzidos por um guia e, ainda assim, deverão ser mantidos junto ao bordo da pista. O dono de um animal solto na pista que causa um acidente com morte pode ser acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar), segundo o tenente da Polícia Rodoviária Cláudio Ferreira da Silva. “É uma situação gravíssima. Imagina uma moto que atropela uma vaca pelo caminho. Dificilmente o acidente não será grave.”
O difícil é identificar quem é o dono do animal. Nos casos em que ocorre o acidente, a Polícia Rodoviária registra o boletim de ocorrência e passa as informações para a Polícia Civil. “Uma ação importante que o policial rodoviário faz no local é tentar identificar alguma testemunha que saiba quem é o dono do animal, para levar estes dados para a Polícia Civil”, disse o tenente.
O ACIDENTE
O motociclista Leandro Donizete Costa colidiu com uma vaca quando voltava à noite de Patrocínio Paulista no início de agosto. Ele teve traumatismo craniano e morreu minutos depois. Leandro voltava para casa em Itirapuã, após visitar o filho recém-nascido Jonas Riquelme, que tinha então apenas 7 dias de vida.
Hoje, Rita de Cassia Bernarbinelli, 30, exige uma explicação para o acidente que tirou seu companheiro e pai de seu filho. “Pelo jeito, eles (polícia) nem estão correndo atrás. Estive na delegacia para pegar o laudo do IML (Instituto Médico Legal) e perguntei sobre o inquérito, mas ninguém fala nada. Não acharam nada, nem sabem quem era o dono da vaca. Disseram apenas que o inquérito não havia sido concluído.”
Rita afirma que não pensa em atrapalhar o serviço da polícia ou prejudicar a vida de ninguém, mas vai entrar na Justiça quando o inquérito for concluído. “Só quero justiça. Dinheiro não irá trazer o pai do meu filho de volta.”
O investigador de Polícia João Pedro Vital, de Patrocínio Paulista, que apura o acidente , disse à reportagem que tem um suspeito. “O provável dono do animal o matou, decapitou e removeu as marcas (de identificação) abandonando-o, dias depois, a uns 500 metros do local do acidente. Suspeitamos de um arrendatário de uma fazenda próxima, mas, como não houve evidencias suficientes, o caso permanece em investigação”, disse Vital.
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