Responda com honestidade. Do momento que você acorda, quanto tempo leva até se conectar na internet? Com que frequência costuma fazer aquela visita básica no Facebook ou twittar alguma bobagem? Nos momentos de descontração com seus amigos, quantos ficam perdidos no smartphone em vez de deixar o aparelho de lado para aproveitar aquele momento? Você faz isso?
Posto assim pode parecer meio assustador, mas manias como estas são tão comuns que nem nos damos conta. O acesso à rede mundial de computadores é tão simples que se transformou em algo banal. Atualmente, todos os estabelecimentos possuem um roteador de internet, para que seus clientes fiquem mais confortáveis.
Além disso, o número de aparelhos que possuem conexão Wi-Fi é assustador. São notebooks, tablets, smartphones, videogames, televisões, geladeiras e tantos outros. Isso, sem dúvida, traz avanços incríveis e inúmeras facilidades para a sociedade de maneira geral. Mas, como todo mundo sabe, nem tudo são flores. “Tais inovações podem estar comprometendo nosso futuro de forma sorrateira, adensando uma teia poluente invisível e potencialmente perigosa a todos indistintamente”. Esta frase está presente no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do francano Márcio Aurélio Gonçalves. O trabalho, batizado como Implicações Jurídicas em Face dos Riscos Potenciais das Radiações Ionizantes nas Telecomunicações, rendeu a Márcio o diploma de direito da Faculdade de Direito de Franca (FDF) e muita repercussão.
“A minha expectativa era levar para as pessoas uma informação que eu considero muito útil”, diz o especialista em serviços de informática. Em seu trabalho, ele reuniu várias reportagens e pesquisas científicas sobre o que está sendo descoberto pela ciência com relação às radiações provenientes de celulares e outros aparelhos. A partir disso, apontou algumas falhas na legislação brasileira com relação ao tema. “Esse atraso é normal. A tecnologia avança com muita velocidade e nossas leis não conseguem acompanhar com a mesma eficácia”, explica Márcio.
Antes de mais nada, é preciso dizer que nenhuma das pesquisas deu um veredicto, afirmando que estas ondas magnéticas são maléficas para nosso organismo. “O que existe são indícios de que a longa exposição resulta em algumas doenças. Existem casos de homens que usavam o celular preso ao cinto e hoje sofrem com uma descalcificação dos ossos da área da bacia, por exemplo”, comenta.
E os efeitos são piores em crianças e adolescentes. “No meio das minhas pesquisas encontrei uma reportagem canadense, em que uma médica local dizia que a radiação afeta de maneira mais intensa este grupo, pois suas células se multiplicam com muita velocidade, espalhando a radiação pelo corpo. Além disso, o crânio das crianças é mais fino, o que bloqueia menos as ondas que atingem o cérebro”, afirma.
Os problemas que podem - que podem, que fique claro - ser provenientes da exposição prolongada vão desde pontadas na pele, passam por distúrbios do sono e podem chegar a desordens digestivas e por aí vai. “Os legisladores federais bem que poderiam criar normas mais protetivas, adequadas ao caráter preventivo que as evidências científicas sinalizam. As disposições normativas específicas às torres de telefonia celular de alguns estados da federação e municípios reduziram os limites em relação aos da legislação federal, mas ainda estão distantes dos patamares mínimos possíveis, se comparadas às regulamentações internacionais mais restritivas”, adverte.
E então qual seria a solução? Cautela! “Antigamente os celulares emitiam muito mais radiação que os modelos modernos, mas o problema está na quantidade de aparelhos que produzem estas ondas atualmente. E o pior, todos eles ligados em um mesmo ambiente”, explica Márcio.
Acreditando ou não na pesquisa, quem sabe agora você pode aproveitar e tentar se desconectar um pouco para aproveitar mais o mundo real em toda a sua glória e beleza.
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